
Um mês depois da morte de Íris Martins, que não resistiu a um procedimento estético em clínica de Divinópolis, o Sistema MPA elaborou uma linha do tempo com os principais acontecimentos do caso.
A tragédia

Por volta das 10h20 do dia 08 de maio de 2023, o Samu foi acionado para atender a mulher de 45 anos em uma clínica em Divinópolis. Ela estava inconsciente, em parada cardiorrespiratória e foi encaminhada para a Sala Vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis.
Íris Doroteia Martins morreu na mesma noite. Ela deixou um filho de 12 anos.
Prisão

Ainda no dia 08, as polícias Civil e Militar estiveram na clínica. O Sistema MPA teve acesso ao Boletim de Ocorrência. No documento, testemunhas afirmam que provas teriam sido ocultadas, e que profissionais de outras clínicas do mesmo edifício tentaram salvar a vítima. A biomédica responsável, Lorena Marcondes foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Na madrugada seguinte, ela e a técnica de enfermagem Ariele Cristina foram presas em flagrante e levadas para o presídio Floramar.
No dia 09, a Polícia Civil concedeu uma entrevista coletiva. O delegado Flávio Destro apresentou suspeita de dolo eventual. O delegado afirmou que a responsável pelo procedimento assumiu o risco de matar, o que configura inicialmente o crime de homicídio.

A prisão de ambas foi convertida em preventiva no dia 10 de maio. No mesmo dia, a defesa de Lorena pediu prisão domiciliar. O Ministério Público manifestou-se pela negação do benefício, apontando ocultação de provas.
Em 24 de maio o Tribunal de Justiça de Minas Gerais julgou em segunda instância e concedeu parcialmente o habeas corpus de Lorena e Ariele. Na decisão, a Desembargadora Paula Cunha e Silva apontou “erro médico” e bons antecedentes. Em prisão domiciliar, a biomédica voltou a usar as redes sociais.
O Procurador de Justiça de Belo Horizonte Guilherme Pereira Vale pediu a revogação da prisão domiciliar. Mas o embargo não foi aceito pelo MP, em julgamento nesta terça-feira, 06. Assim, a biomédica permanece em casa.

CPI

A clínica foi interditada pela vigilância sanitária no dia da tragédia. A prefeitura informou que o local funcionava sem alvará desde novembro de 2022 e estava realizando procedimentos invasivos não declarados.
No dia 10 de maio, o Sistema MPA revelou com exclusividade que o Ministério Publico recomendou, no dia 19 de abril, que a Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis tomasse providências em relação à clínica da Lorena Marcondes, devido a problemas recorrentes relacionados ao alvará sanitário. As acusações se referem a uma denúncia de 2022, de um paciente que teve a boca deformada após um procedimento.
A Prefeitura de Divinópolis realizou coletiva de imprensa, no dia seguinte, afirmando que esteve na clínica antes da recomendação do MP. O município negou interferência política no funcionamento de clínica e disse que outros estabelecimentos atuam sem alvará.

No dia 24 de maio o prefeito Gleidson Azevedo (PSC), foi denunciado no Ministério Público por supostamente ter beneficiado a clínica Lorena Marcondes em relação a vigilância sanitária. A biomédica foi já homenageada na Câmara Municipal.
Vereadores de Divinópolis pediram uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a postura do município no caso. As primeiras oitivas ocorreram nessa semana e a CPI pediu o afastamento do Secretário de Saúde, Alan Rodrigo.











