O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) usou as redes sociais para confrontar um juiz de Divinópolis que foi aposentado compulsoriamente após acusações de assédio. Ele foi visto num bar onde o parlamentar também estava, assistindo Brasil x Marrocos no último sábado (13). (veja vídeo no fim da matéria)
Na gravação, Cleitinho diz não ter medo de ser processado e afirma que vai lutar contra o fim dos chamados ‘privilégios’ do poder judiciário. Em tom de enfrentamento, o senador diz que foi afastado do cargo “por irregularidade” e que, mesmo sem atuar, recebe cerca de R$ 40 mil por mês.
“Não tenho medo do senhor, pode entrar com processo. Só pra dar um recado: vou acabar com esse privilégio seu, tá afastado ganhando ’40 pau’ por mês. Você é público humilhou um monte de gente de Divinópolis, vou acabar com seu privilégio. Você não ficar na mamar na teta do Estado à toa não!”, disparou.
Em seguida, o senador explica a abordagem e diz que a punição deveria ser mais severa. Para ele, a aposentadoria compulsória, na prática, apenas afasta o magistrado da função sem cortar a remuneração.
“Essa Vossa Excelência é um juiz que cometeu várias irregularidades e deveria ter sido punido, mas teve foi uma premiação: uma aposentadoria compulsória. Ele já não trabalha mais, mas continua recebendo o seu salário. E quem paga? O trabalhador que está na maldita escala 6×1 para manter esse privilégio”, continou.
Quem é o juiz apontado por Cleitinho em vídeo?
No vídeo, Cleitinho não cita o nome, mas trata-se de Ather Aguiar, aposentado compulsoriamente em 2024 por várias acusações de assédio. Ele atuava na 1ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias de Divinópolis. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) apurou as denúncias de assédio sexual e moral contra sete servidoras e estagiárias em 2023.
Ather e seu assessor fazia ‘rituais de batismo’ em funcionárias e se dizia Deus. Além disso, eles trancavam as vítimas em um corredor do fórum como forma de punição.
Juiz de Divinópolis tem salário de R$ 47 mil por mês
No Poder Judiciário, a aposentadoria compulsória era a pena máxima administrativa para magistrados que cometem algum tipo de crime. Porém, em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal extingiu a punição. Desta forma, condenados podem perder o cargo após julgamento do STF.
Em consulta ao portal da transparência do TJMG, a aposentadoria bruta de Ather é de R$ 47 mil, contando salários e benefícios.
Em sua defesa durante o processo, o juiz alegou ter exercido a magistratura por mais de 25 anos sem ser alvo de qualquer acusação.
A reportagem não conseguiu contato da defesa de Ather. O espaço segue aberto. Veja o vídeo abaixo:
MP pede ampliação de medidas cautelares contra juiz acusado de assédio em Divinópolis
Assessor de juiz mineiro acusado de assédio é denunciado por violência contra estagiárias
Depoimentos de servidoras do gabinete do juiz detalha assédio e agressões em Divinópolis














