Queixoso por receber o “miserê” de R$ 24 mil por mês, o procurador de Justiça de Minas Gerais Leonardo Azeredo dos Santos custou R$ 4,1 milhões ao contribuinte nos últimos cinco anos. Isso sem contar benefícios como o auxílio-alimentação e plano de saúde.
O levantamento tem como base os dados do Portal da Transparência do
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Somando-se salário,
indenizações e “remunerações retroativas ou temporárias” — que
incluem valores garantidos por conquistas na carreira ou decisões
judiciais —, chegase à cifra de R$ 4.173.614,58 gastos pelo MP
exclusivamente com o procurador.
A soma considera somente o período entre agosto de 2014 e julho de
2019, menos de um quinto da trajetória do procurador no MPMG. Ele
ainda tem direito, todo mês, a auxílio alimentação no valor atual
de R$ 1.100 e de saúde, de aproximadamente R$ 1990. “Vamos car
nesse miserê?” Azeredo dos Santos está há 28 anos no órgão público,
onde ingressou em 1991 como promotor de Justiça. Em 2010, ele
passou a procurador, segundo cargo mais alto na hierarquia da
instituição. Na segunda-feira, Azeredo dos Santos cou famoso por
reclamar do salário ao procurador-geral de Justiça de Minas Gerais,
Antônio Sérgio Tonet, em áudio divulgado no site do Ministério
Público, dizendo que teve que baixar “seu estilo de vida” para
sobreviver.
“Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação
ou se Vossa Excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua
criatividade, para melhorar nossa situação? Ou se vamos car nesse
miserê?”, cobrou. Ele disse ainda que precisou diminuir de R$ 20
mil para R$ 8 mil os gastos com o cartão de crédito e que está
vivendo à base de antidepressivos. “Quem é que vai querer ser
promotor, se não vamos ter aumento, ninguém vai querer fazer
concurso nenhum”, completouE, apesar de reclamar do “miserê”, o MP
já desembolsou, de janeiro a julho deste ano, mais de meio milhão
de reais para pagar o salário do procurador,
uma bolada de R$ 562.789,14, cerca de R$ 80,3 mil em média, mais de
três vezes os R$ 24 mil mensais.
Desse valor, foi descontada a contribuição
previdenciária, de R$ 3.900,84, além do Imposto de Renda, em geral,
de R$ 7.757,88. No período de cinco anos, o procurador embolsou
muito mais do que o salário, pois recebeu indenizações e
remunerações temporárias ou retroativas. Com isso, em janeiro deste
ano, por exemplo, ele custou ao Estado R$ 99.474,02. Em dezembro de
2015, o custo do MP de Azeredo com o salário do procurador foi R$
145.670,65. Com os descontos, o servidor colocou no bolso o total
de R$ 132.988,26. Também pode contar com
graticações extras.
Em junho, ele ganhou graticação natalina no
valor de R$ 17.731,11. Mais de R$ 23 mil líquidos Todo mês, o
Estado desembolsa R$ 35.462,22 para pagar um procurador, que,
depois dos descontos de previdência e Imposto de Renda, recebe R$
23.751,36.Um promotor em início de carreira já entra na instituição
recebendo
remuneração de R$ 30.404,42, sendo R$ 20.487,81 após
descontos.
Diferentemente de servidores do Executivo, o MP não sofre com
parcelamento e atrasos de salários. Na prática, o valor é maior já
que eles ainda contam com auxílio-alimentação de R$ 1.100,
reajustado em 24% em maio (antes era R$ 884) e o auxíliosaúde, que
tem caráter indenizatório e é pago no valor equivalente a 10% do
subsídio.
Azeredo dos Santos, por exemplo, tem recebido, em média, R$ 1.990 de reembolso referente ao plano de saúde. O MP informou que o procurador não falará sobre o assunto. A instituição reitera que “não há nenhum projeto em andamento sobre a adoção de benefícios pecuniários para a carreira de membros (procuradores e promotores de Justiça) ou de servidores, em vista da grave crise nanceira vivenciada pelo estado e da necessidade de observação da Lei de Responsabilidade Fiscal”. O tamanho do “miserê” Conta os valores pagos ao procurador Leonardo Azeredo dos Santos com salário, indenizações e “remunerações retroativas ou temporárias”, num total de R$ 4.173.614,58.
Fonte: Correio Braziliense















