O Canastra Imperial, maior queijo canastra já produzido na região, ficou dois anos em processo de maturação na fazenda de Maria Lúcia e Ivair Oliveira, em São Roque de Minas. A peça de 36 quilos é parte do projeto Super Queijos, desenvolvido pela Rota do Queijo de Minas para valorizar a produção artesanal mineira.
A peça, batizada de Canastra Imperial II, foi produzida em maio de 2024 com 350 litros de leite cru e superou a marca do Canastra Imperial I, exemplar de 30 quilos feito na mesma fazenda em 2023. Os dois anos de cura representam um recorde inédito de tempo de maturação para queijos desse porte na região.
Por que o tempo de maturação é tão importante para o sabor?
De acordo com Jordane Macedo, de 55 anos, diretor da Rota do Queijo de Minas e idealizador do projeto Super Queijos, o queijo é um alimento vivo, que continua se transformando durante todo o período de cura.
“Quanto mais tempo ele é cuidado durante a maturação, mais o sabor evolui e desenvolve notas diferenciadas. O Canastra Imperial é uma peça exclusiva, principalmente desse tamanho. Apesar da casca firme, tem um interior macio e untuoso“, explica.
Na prática, manter a qualidade de uma peça tão grande por 24 meses era o maior temor da equipe de produção, já que o excesso de gordura corria o risco de oxidar e deixar um sabor rançoso ao longo do tempo.
Quais são as características sensoriais do queijo canastra?
Além disso, o Canastra Imperial também chama a atenção pelo perfil sensorial. Produzido com leite cru e maturado por dois anos, o queijo apresenta notas que remetem ao araticum, fruta típica do Cerrado brasileiro.
“O resultado foi muito satisfatório. Percebemos um sabor muito frutado. A partir dos 15 meses de maturação, o sabor já era bem diferenciado, mas esse de dois anos realmente superou tudo”, celebrou Lúcia, que comanda a produção ao lado de Ivair.
Como os avaliadores descreveram o resultado final?
Jordane Macedo revelou que o perfil sensorial da peça surpreendeu os avaliadores ao trazer a identidade do terroir mineiro no paladar. “Ele deu notas de araticum, que é uma fruta nativa do Cerrado. É impressionante como um queijo com dois anos de cura conseguiu se manter tão untuoso, macio e sem nenhuma oxidação. Ele está simplesmente incrível”, afirmou.
Sobretudo, o resultado reforça o potencial da Serra da Canastra como uma das regiões queijeiras mais premiadas do país. A queijaria de Ivair e Lúcia já conquistou medalha Super Ouro no Mondial du Fromage, concurso mundial de queijos realizado na França.
Onde e como comprar uma cunha do Queijo Canastra Imperial?
A peça única será fracionada em cunhas para comercialização, e as vendas acontecem presencialmente na porteira da Fazenda do Ivair, em São Roque de Minas. Os interessados precisam retirar o produto no local, de terça a sábado, das 9h às 11h e das 13h às 17h, e aos domingos, das 9h às 11h.
Porém, por se tratar de uma peça única, os produtores decidiram não enviá-la para o mercado convencional. Quem quiser saborear uma cunha do Canastra Imperial terá que fazer as malas, uma vez que a venda é apenas presencialmente no sítio. A estratégia que transforma o queijo em um motor de turismo para a região.
Qual é o papel do projeto Super Queijos na Canastra?
Enquanto isso, o projeto Super Queijos segue produzindo peças recordistas em diferentes regiões queijeiras de Minas Gerais, entre elas o Soberano da Mantiqueira e o Gran Araxá. A iniciativa busca não apenas bater recordes, mas também promover o reconhecimento e a valorização do queijo artesanal mineiro, patrimônio imaterial do estado.











