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Personalidades de Divinópolis: Quem foi Halim Souki?

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Halim Souki. Foto: Acervo EmRedes

O Portal MPA traz a história de Halim Souki, o segundo homenageado da série de reportagens especiais sobre as principais personalidades de Divinópolis, que completará 112 anos no próximo sábado, 1° de junho.

Halim Souki nasceu em 12 de novembro de 1903, no Líbano, e foi um comerciante que chegou à cidade de Divinópolis em 1926 e viveu até 05 de maio de 1950, quando faleceu. Também fotógrafo, registrou elementos da religiosidade, do trabalho, da cultura, do comércio, da política e da história divinopolitana.


Na cidade ele instalou a Casa Oriente, um estabelecimento comercial que vendia gêneros alimentícios, tecidos e utilidades em geral. Posteriormente instalou a Nova Oriente em continuidade a Casa Oriente, localizada na avenida Primeiro de Junho com a rua São Paulo, que se tornou um centro de discussões políticas e reuniões entre as lideranças políticas do município. Em cima do prédio comercial, foi instalado um alto-falante, através do qual a população podia acompanhar as notícias veiculadas pelas rádios sintonizadas por Halim Souki. Especificamente no período da Segunda Guerra Mundial, tal mecanismo teve grande importância para os cidadãos divinopolitanos.

Em frente à Nova Oriente, passavam os desfiles cívicos, os ternos de reinado, as procissões católicas. Tais eventos foram registrados por Halim Souki. Além desses, também os jogos de futebol entre os times da cidade, as apresentações teatrais e tantas outras iniciativas culturais incentivadas por ele.

Foto: Colorindo História
Foto: Colorindo História

O comerciante tratava a fotografia como um hobby, envolvendo-se como completo. Grande acervo que existe hoje, foi graças ao trabalho consistente de Halim pela fotografia. Registrou a cidade de Divinópolis por quase três décadas, em esferas, ângulos e perspectivas diferentes.

Na época de Carnaval, também caía na festa. Gostava de se fantasiar, e despontava na avenida também como Rei Momo.

Além disso, teve ainda grande gosto por automóveis, possuindo vários durante a vida. Gostava muito de viajar, e mais ainda, de retornar a Divinópolis. Cada vez que voltava, ao avistar, de longe, os primeiros contornos e luzes da cidade, descia e falava: “A Capital do Mundo!

Foto: Acervo EmRedes
Foto: Acervo EmRedes

Casou-se com Hilda Gomes Guimarães, sua parceira dos carnavais para a vida toda. O casal teve cinco filhos: Omar, Adel, Leila, Amira e Zaira. Moraram na Rua São Paulo, nº 247, entre as avenidas 1º de Junho e Independência (atual Antonio Olimpio de Morais), próximo à Câmara Municipal, e ao lado da sua ‘Casa Nova Oriente’.

Foto: Acervc EmRedes

A economia na cidade, nas primeiras décadas do século XX, girava em torno da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), mais tarde, Rede Ferroviária Federal S. A. Os ferroviários eram muitos no município. Dessa forma, quando havia algum atraso de pagamento (algo comum nesse período), toda a cidade era afetada. Além disso, a categoria profissional dos ferroviários foi significativa politicamente. Muitas foram as greves dos ferroviários nesse período.

Tais greves, marcadas pela repressão comum àquele momento histórico, costumavam ser longas. Muitas vezes, as lideranças precisavam esconder-se e, com o corte de pagamento, as famílias ficavam sem condições de arcar com as despesas de alimentação. O envolvimento do comerciante Halim Souki com os ferroviários, doando alimentos a serem levados às lideranças que se mantinham escondidas, oferecendo crédito comercial às famílias até se normalizar o pagamento, aconteceu. Tal envolvimento está registrado em diversos documentos, entre eles, o livro Pelos Caminhos da Maria Fumaça, de autoria de Batistina Maria de Sousa Corgozinho, organizado por José Heleno Ferreira (2014).

A Casa Oriente sustentava a situação e funcionava prestativamente aos funcionários sem salários, com uma caderneta de conta e até almoços em ajudas as famílias mais necessitadas.

Halim Souki morreu no dia 5 de maio de 1950, aos 46 anos, vítima de um derrame cerebral. No dia, ele havia ido ao Cine Alhambra, mas voltou se sentindo mal e falecendo na madrugada. A cidade inteira foi à sua despedida, e diversas homenagens, de clubes esportivos, carnavalescos, comerciantes, sociedades assistenciais e poderes públicos reverenciaram aquele que tanto fez por esta terra, em tão pouco tempo.

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