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Personalidades de Divinópolis: Quem foi Dom Cristiano?

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Dom Cristiano imortalizado a frente da Catedral

Dom Cristiano Portela de Araújo Pena preparou todo o caminho para a Diocese de Divinópolis ser implantada

No marco dos 112 anos de emancipação político-administrativa da cidade de Divinópolis, é essencial relembrar e homenagear as personalidades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento e a história da cidade. Entre essas figuras ilustres, destaca-se Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, cujo legado espiritual e comunitário continua a inspirar gerações. Em reconhecimento ao seu impacto duradouro, a praça em frente à Catedral de Divinópolis foi nomeada Praça Dom Cristiano.

Dom Cristiano nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 1913, filho de Antônio Gonçalves de Araújo Pena e Ana Portela de Araújo Pena. Mudou-se para Belo Horizonte com a família em busca de tratamento de saúde e completou seus estudos ginasiais no Colégio Arnaldo. Posteriormente, ingressou no Seminário da Arquidiocese, iniciando seu caminho na vida religiosa.

Foi ordenado sacerdote em 18 de setembro de 1937 e dedicou 14 anos ao seminário, atuando como disciplinário e depois como Diretor Espiritual. Seu compromisso e devoção o levaram a ser pároco em Santa Luzia e, mais tarde, a Divinópolis, onde desempenhou um papel crucial na criação da Diocese.

Dom Cristiano trabalhou incansavelmente junto a Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa e aos fiéis para construir a igreja matriz que se tornaria a catedral da nova diocese. Em 17 de maio de 1959, na Festa de Pentecostes, Dom Armando Lombardi, Arcebispo Titular de Cesária de Felipe e Núncio Apostólico, leu a Bula “QUI A CHRISTO”, criando oficialmente a Diocese de Divinópolis. Na mesma data, Padre Cristiano foi sagrado Bispo.

Como Bispo, Dom Cristiano se destacou pelo trabalho na Pastoral Rural, garantindo que todas as pequenas povoações recebessem assistência religiosa e celebrações dominicais. Ele participou do Concílio Vaticano II e administrou a Diocese de Oliveira-MG como Administrador Apostólico, substituindo Dom José Medeiros Leite.

Em 1978, devido a problemas de saúde, Dom Cristiano pediu à Santa Sé para ser liberado de suas funções como Bispo Diocesano de Divinópolis. Mudou-se para Belo Horizonte, onde continuou a servir a comunidade, especialmente na direção espiritual e na Pastoral da Saúde. Por 21 anos, foi capelão do Hospital Madre Teresa, cuidando de pacientes com tuberculose e celebrando missas diárias na capela Santa Teresinha.

Irmã Maria da Penha Cruz relembra: “Ele acreditava que seu trabalho estava voltado, antes de mais nada, para a fraternidade, amor ao próximo e para o conforto espiritual do paciente internado e de sua família, independente da opção religiosa de cada um.”

Dom Cristiano faleceu em 2 de agosto de 2000, na Unidade Coronariana do Hospital Madre Teresa, vítima de insuficiência cardíaca crônica. Foi sepultado na Catedral de Divinópolis, onde ele queria, pois ele acreditava que ali os amigos rezariam pelo menos uma ave-maria por ele.