O musical “Confissões de Adolescente” está de volta aos palcos 34 anos após sua estreia, agora em uma montagem marcada pela participação de diferentes gerações da família ligada à criação da obra. Laura de Oliveira, filha da autora Maria Mariana, interpreta a narradora do espetáculo, que retoma a estrutura baseada em um diário e estabelece uma conexão direta entre a experiência da autora e a adolescência vivida pela nova geração.
Em entrevista ao Splash, Maria Mariana afirmou que a nova versão funciona como uma ponte entre o passado e o presente. Embora preserve o diário como eixo da narrativa, o espetáculo também incorpora a relação entre mãe e filha, tanto no conteúdo apresentado ao público quanto na presença de Laura no palco.
Para Laura, participar da montagem representa o início da carreira artística a partir de uma obra que faz parte da história de sua família. Ela descreveu a oportunidade como o recebimento de um legado importante e destacou a intenção de homenagear a mãe, que considera uma referência pessoal, e o avô, Domingos Oliveira, apontado por ela como uma de suas principais influências.
A origem do projeto remonta ao diário que Maria Mariana começou a escrever aos nove anos. O registro acompanhou a autora durante o período de transição entre a infância e a vida adulta e acabou se transformando na base de “Confissões de Adolescente”. Maria Mariana estreou no espetáculo aos 19 anos e, décadas depois, vê a própria filha assumir a narração da história.
A continuidade familiar é um dos elementos centrais da nova temporada. A experiência de Maria Mariana, registrada originalmente no diário, passa a dialogar com a trajetória de Laura, que interpreta a autora em cena. Segundo Maria Mariana, “o projeto é a minha vida”, declaração que resume a relação pessoal construída ao longo dos anos com o musical e com o material que deu origem à obra.
Diário permanece no centro do espetáculo
Na montagem atual, Laura representa Maria Mariana no momento em que os acontecimentos são registrados. A personagem escreve o diário enquanto vive as situações narradas, fazendo com que o público acompanhe não apenas os episódios da adolescência, mas também o próprio processo de criação da história.
Essa escolha amplia o papel do diário dentro da dramaturgia. Além de organizar a narrativa, a escrita aparece como uma forma de preservar lembranças, sentimentos e descobertas. O espetáculo, portanto, mantém a essência da versão original ao mesmo tempo que apresenta uma leitura atualizada sobre o processo de amadurecimento.
Maria Mariana contou que a atualização do texto era um projeto que já guardava havia algum tempo. A proposta inclui o diálogo entre gerações e considera transformações sociais e tecnológicas ocorridas desde a primeira montagem, entre elas a chegada da internet. A autora também busca mostrar que, apesar das mudanças no mundo, há características da adolescência que permanecem reconhecíveis.
Ao acompanhar essas transformações, Maria Mariana passou por diferentes fases da vida, teve filhos e continuou observando as mudanças ao seu redor. Para ela, o espetáculo reflete justamente sobre a combinação entre aquilo que se modifica com o tempo e os sentimentos que continuam presentes durante o crescimento. A autora define a adolescência como uma experiência universal.
Espetáculo mantém vínculo com a história da família
Domingos Oliveira, pai de Maria Mariana e avô de Laura, também é lembrado na construção da nova montagem. Maria Mariana afirmou ter percebido uma presença simbólica do pai durante a apresentação. Laura, por sua vez, relatou a sensação de que o avô abençoava o projeto, reforçando a ligação entre a produção atual e o legado artístico da família.
O trabalho compartilhado também influencia a relação entre Laura e Maria Mariana fora do palco. Ao atuar ao lado da mãe, Laura disse que passou a refletir sobre a importância de se abrir mais e expressar de forma clara sua identidade e seus sentimentos. A convivência profissional, segundo ela, cria oportunidades para aprofundar esse diálogo.
Laura descreveu a relação atual com Maria Mariana como uma amizade próxima. “Confissões de Adolescente – O Musical” está em cartaz no EcoVilla Ri Happy, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, até 29 de novembro de 2026.
Serviço
“Confissões de Adolescente – O Musical”
Temporada: até 29 de novembro de 2026
Local: EcoVilla Ri Happy, Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Ingressos: a partir de R$ 70, na modalidade meia-entrada












