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Rascunhos da Vida: Exportação de saudade…

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Retirado do site: https://www.pexels.com/pt-br/foto/sonhando-acordado-globo-mundo-fotografias-4340789/

Hoje acordei com sentimento saudosista. Lembrei-me da infância, da pré-adolescência, das aulas de português ministradas pela Dona Puríssima. Na verdade, eu achava que com um nome assim ela só poderia ser professora de português. Lembrei-me das conjugações verbais, nominativos, preposições e até da musiquinha para decorá-las.

Salmo 137

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Ativou-se em minha memória a lembrança de tê-la ouvido falar que a palavra “saudade” só existe em português. Então fui olhar nas minhas enciclopédias, nos dicionários de palavras estrangeiras, tentei explorar minha memória e me deparei com a realidade de que saudade é uma palavra de exportação dos nativos da língua portuguesa. E como o português é uma língua latina, considerada romântica por seu tom cantado e melancólico, existem palavras semelhantes à saudade, como espanhol o vocábulo “soledad” que verdadeiramente significa solidão e que não representam a complexidade da nossa “saudade”.

Há como canta Roberta Miranda “saudade palavra triste quando se perde um grande amor”, ou como no título em português dado ao Salmo 137: “Saudades da pátria” tal vocábulo é repleto de sentimentos. Na verdade a esse vernáculo é envolto num emaranhado de representações e ideias estruturadas ligadas as emoções vividas nas sobreposições de nossas memórias. A saudade sempre é ativada por algo sensorial, seja pelos cinco sentidos ou quem sabe pelo sexto ao qual ouso chamar de tato-transcendente.

É inexplicável falar sobre saudade, e também sobre o amor. Ambos os vocábulos são imensuráveis. São dois sentimentos ou dons que só podem ser vivenciados por quem no momento certo se permite vive-los. Em hebraico existem duas palavras que permitem a tradução como saudade uma em raiz primitiva (Zakhar) e outra derivada (Zekher), ambas palavras significam o abstrato da lembrança, e são preenchidas pela ideia de uma marca reconhecida, uma memória vívida e que por sua vez ocasiona um relato de experiência. Em muitas vezes ocasiona ou implica uma comemoração, um marco, um memorial.

O salmista tinha gravado em seu coração o memorial de uma pátria onde a liberdade era vivenciada, e a alegria brotava no coração. Tais lembranças alegres projetavam no coração uma imagem de esperança, assim permitiam sonhar com um futuro realizável mantendo vivo o desejo de em atividade, de viver. Essas recordações tornam-se memoriais afetivos que nos identificam com o que somos e nos permitem crescer procurando vir a ser alguém sempre melhor, ou ao menos ter uma vivida esperança de que dias melhores virão.

Como canta o Pregador Luo “O tempo bom existe e ele sorri pra quem quiser viver. O bom momento vai estar pra sempre na sua mente basta lembrar pra vida ficar diferente”. A saudade não precisa ser sempre triste como na voz da rainha dos caminhoneiros, mas ela precisa ser vivenciada em tom de esperança, carregada de significado e de vida. Pense nisso.

Um grande e forte abraço!
Nos eternos laços do amor de Cristo.

Rodrigo Fonseca Andrade
Um servo que não sabe explicar a saudade, mas a vivencia.

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