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Finanças: Na Bolsa, é o futuro que importa

Postado em 27/03/2020 17:00

Cada um de (todos) nós

Cada um de (todos) nós

Seja do ponto de vista financeiro ou pessoal, estamos vivemos algo raro.

Muitas vezes o novo, o desconhecido e o incomum são assustadores em um primeiro momento, mas digo outra vez: o tempo cura praticamente tudo.

Sigamos todos as recomendações das autoridades sanitárias, sejam elas quais forem.

Aproveitemos o momento para dar atenção aos nossos entes queridos e refletir.

Tenho certeza de que, passado o furacão, teremos um individual e um coletivo mais fortes do que há alguns meses.

Do ponto de vista dos seus investimentos, creio que a maior lição que ficará é que é preciso ter estômago e respeitar o seu perfil de risco.

Os últimos tempos fizeram com que muita gente pensasse que ganhar dinheiro na bolsa é fácil. Não é: exige estudo e, principalmente, disciplina — justamente em momentos como o atual.

Talvez o movimento nos juros, nas moedas e nas bolsas tenha servido justamente para os entrantes no mercado aprenderem mais sobre si e, assim, definirem corretamente, com um exemplo real, qual tolerância a risco possuem.

Sempre que era perguntado sobre quanto alocar em Bolsa, o Ricardo respondia: imagine que suas Ações caiam 50 por cento… se elas representarem 10 por cento do seu patrimônio, o impacto total é de 5 por cento; se representarem 50, o impacto é de 25. Quanto você aguentaria?

Agora não precisa mais imaginar.

Até quando?

Do ponto de vista da saúde pública, talvez o momento delicado em que vivemos possua "meio" e "fim" decretados. Dados dos países asiáticos levam as autoridades a acreditarem que, dentro de mais algum tempo, o pior já terá ficado para trás.

Já em relação aos impactos econômicos, vai levar algum tempo para termos a real fotografia dos efeitos sobre as empresas — principalmente nas micro e pequenas, de capital fechado.

Elas tendem a sofrer mais em momentos como este, por não possuírem muito dinheiro no banco para sustentar o pagamento das despesas ao longo de várias semanas sem faturamento.

As grandes empresas, sejam elas listadas em bolsa ou não, possuem um ótimo relacionamento bancário e uma administração mais profissional. Então, apesar de uma ou outra situação de stress, quase todas superarão o momento atual sem danos estruturais.

São inúmeras as iniciativas dos bancos centrais e governos ao redor do mundo para tentar suportar as empresas — e, por extensão, o emprego.

Nos Estados Unidos discute-se um pacote de 2 trilhões de dólares. Ele é muito superior ao que foi aprovado na crise de 2008, que ficou em torno de 800 bilhões de dólares.

No Brasil, em um movimento sem precedentes, o Banco Central anunciou nesta semana medidas que devem injetar por volta de 1,2 trilhão de reais na economia do país, principalmente por meio da concessão de crédito. Para colocar o número em perspectiva, na crise de 2008 o montante equivalente foi de 117 bilhões de reais.

Fica a esperança de que tais iniciativas surtam efeito já no curto prazo e ajudem a recuperar as economias mundiais.

Tudo indica que este será um período difícil para todas as economias.

Mas ressalto que nós, seres humanos, tendemos a perpetuar o curto prazo quando, na verdade, isso é extremamente errado. Nem a famosa crise de 1929 foi suficientemente forte para acabar com o mundo.

A economia terá impactos. As empresas sofrerão impactos. Mas independentemente das magnitudes que esses impactos ganhem, tudo será passageiro.

Fonte: @JWthib

Vamos usar como exemplo o maior mercado acionário do mundo: os Estados Unidos.

Algumas crises são longas. No gráfico acima, a linha azul clara representa a quantidade de dias, do topo ao fundo, do índice S&P500 durante a crise de 1929  a maior de todas já registradas. Foram praticamente 700 dias de sobe e desce até que o mercado marcasse um fundo e retornasse a alta.

Obviamente, só conseguimos saber o topo e o fundo depois que eles aconteceram. Mas esses números nos ajudam a entender como as pessoas, a economia e as empresas reagiram em situações parecidas.

Notem que as crises mais recentes, como a de 2008 (linha verde) e a bolha das empresas de tecnologia (linha roxa), tiveram uma duração menor —  em torno de 300 a 400 dias.

Por enquanto, a crise atual foi a mais rápida do ponto de vista de desvalorização do mercado acionário. Notem no gráfico a linha preta, que representa o momento presente. A queda foi de quase 30 por cento em poucos dias.

Ninguém é capaz de prever quanto tempo levará para o mercado retomar definitivamente um rumo. Mas, olhando para o passado, é justo assumir que o que há pela frente não é um céu de brigadeiro — trará, sim, oportunidades, mas exigirá critério e seletividade.

Quanto vale?

Quando você decide comprar ações de uma empresa, a pergunta é: você o faz pela expectativa de vender essa ação por um preço maior daqui a uns dias ou semanas, ou você se considera dono dela?

São visões bem diferentes. Na primeira, o fato de a companhia ser afetada por qualquer choque externo terá reflexo no preço das ações no curto prazo. Já na segunda, por mais adverso que seja o momento, no longo prazo ele se dissipa.

Obviamente o mercado tenta precificar todos os dias o que pode dar certo ou errado, mas o poder de previsão nas operações das companhias listadas na bolsa é inexistente para uma janela de tempo tão curta.

Os fatos estão se desenrolando. As próprias empresas estão se adaptando dia após dia, à medida que os fatos acontecem. O mercado não é mágico: o próprio mercado não sabe — e, ao não saber, exige descontos maiores.

Mas pergunto: qual a diferença que um trimestre ruim vai fazer no fluxo de caixa de 20 anos de uma empresa sólida? Na maioria dos casos, praticamente nenhuma.

A questão é que as pessoas se apegam ao preço daquele instante no home broker e não ao valor que aquela companhia vai gerar ao longo de décadas — e tipicamente fazem isso justamente porque não se ocuparam de entender esse potencial de valor. Olhar o preço do momento (e somente ele) é mais confortável.

Notem, na tabela abaixo, o retorno do mercado norte-americano em uma janela de 1, 3 e 5 anos, passado o movimento de queda após grandes crises. O tempo faz toda a diferença!

Fonte: Leadlag Report

É bem provável que, escolhendo Ações de empresas sólidas, que sejam dominantes e bem geridas, você obtenha bons retornos olhando para um prazo um pouco mais longo.

Essa escolha vale muito a pena, desde que você tenha paciência em esperar.

O que fazer?

Acredito que todas as pessoas que decidem tomar para si parte da gestão dos seus investimentos, ao invés de aplicar 100 por cento do seu patrimônio em um fundo gerido por terceiros, deveriam seguir algumas regras básicas. Deixo aqui as que considero “de ouro”.

  1. Diversifique os seus investimentos: é muito mais provável que uma carteira com vários ativos seja mais bem sucedida no longo prazo do que concentrar seu capital em uma empresa específica.

  1. Compre aos poucos, compre sempre: faça aportes constantes; aproveite-se de todos os ciclos econômicos — inclusive este. Nunca temos como saber quando é o fundo nem o topo. A constância é mais importante do que o momento.

  1. Saiba o seu limite: divida seus investimentos entre posições menos e mais arriscadas. Até as pessoas que se consideram totalmente propensas a tomarem risco podem, em algum momento, ter seu dia a dia afetado por posições que são perdedoras.

Lembre-se de que o mercado está aí para lhe ajudar a rentabilizar o seu capital no longo prazo — não para você ficar rico do dia para noite.

O noticiário tem matéria-prima para despejar notícia ruim por um bom tempo — é o negócio deles. Mas, na bolsa, o presente importa muito pouco. Foque no futuro. Foque no longo prazo.

Postado originalmente por: Nord Research

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