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Festa de Cristo Rei na reflexão de Frei Jacir

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A festa de Cristo Rei do Universo foi instituída, na Igreja, pelo Papa Pio XI, em 1925, com o objetivo de se opor ao movimento de leigos que rejeitavam os valores do cristianismo.

O evangelho que inspira a nossa reflexão é o polêmico Mt 25,31-46, cuja temática é o Juízo Final, quando o Filho do homem vier em sua glória, isto é, com seu poder sobre a natureza e a história. Essa passagem inspirou a arte e foi a base da pastoral do medo da morte e do inferno na Idade Média e Moderna.

Veja a reflexão de Frei Jacir de Freitas Faria

Uma festa que nos indica o caminho

O ano litúrgico é o símbolo do caminho da nossa vida: tem um início e um fim, rumo ao encontro com o Senhor Jesus, Rei e Senhor, no Reino dos Céus, quando entrarmos pela porta estreita da “irmã morte “(São Francisco). Pois bem, no início do Ano Litúrgico (I Domingo do Advento), foi-nos indicada, de antemão, a meta à qual devemos dirigir nossos passos. É como se, em vista de um exame, tivessem nos dado um ano antes as respostas às perguntas! Mas, isso teria sido um exame desonesto. Na liturgia, porém, este é um dom do Mestre Jesus, porque nos permite saber qual o caminho que devemos seguir (Jesus, o Caminho), com quais pensamentos seguir (Jesus, a Verdade), e qual esperança que deverá nos animar (Jesus, a Vida – Cf. Jo 14,6).

Tudo depende do amor

O que mais nos impressiona, hoje, pelos textos litúrgicos, é que o exame final será sobre o tema do amor, na concretude da vida, a partir das nossas ações mais simples e comuns: “tive fome, tive sede…”. Logo, não se trata de gestos heroicos ou estranhos à vida cotidiana, tampouco de gestos extraordinários. A coisa mais bonita que emerge do Evangelho é que Jesus não é apenas o “Deus que está conosco, até o fim do mundo”, mas o “Deus que está em nós”, começando pelos últimos, que se identifica com os mais necessitados, com os pequeninos do Evangelho, com todos os perseguidos (Cf. At 9,4: “Saulo Saulo, por que me persegues?”). Enfim, todo gesto de amor é um gesto feito “com Jesus”, em sua companhia; “como Jesus”, porque aprendemos do Evangelho; mas também “para Jesus”, porque todas as vezes que fizermos um gesto de amor, fizemos “para Ele”.

Amor na vida de cada dia

O que mais nos surpreende e que nos “seis” gestos, sobre os quais Jesus no Evangelho, não há nenhum religioso ou sagrado, segundo o nosso modo de pensar. Todos parecem ser gestos “leigos”, feitos na rua, em casa, onde quer que seja e onde há necessidade; na verdade, “nada é profano, tanto em frente como fora da igreja, porque toda a realidade é a grande Igreja de Deus: nada é profano, mas tudo é “sagrado”, porque tudo está em função de Jesus” (Luigi Giussani).

Nisto consiste todo o culto que prestamos a Deus, segundo também outro texto de Mateus: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta“. (Cf. Mt 5, 23-24; Quarta-feira de Cinzas: Is 58,9; Gl 2,12: Eis o jejum que quero: libertar os oprimidos…). Afinal, se o culto oferecido diante do altar não for precedido e acompanhado pelo culto do amor ao próximo, vale bem pouco.

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