O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4), em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. O parlamentar afirmou que pretende utilizar a disputa para ampliar o espaço da oposição na Casa e permitir que pautas do grupo avancem, entre elas o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado.
O lançamento ocorreu após uma reunião que reuniu cerca de 30 senadores e parlamentares aliados. A eleição para o comando do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Marinho terá como principais adversários o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também mantém sua candidatura.
Durante o encontro, Marinho afirmou que pretende trabalhar para que o Congresso coloque o projeto de anistia em discussão.
“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, declarou.
A proposta é uma das principais bandeiras defendidas por setores da oposição. O projeto envolve a possibilidade de anistia a pessoas condenadas pelos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado, incluindo os episódios de 8 de janeiro de 2023.
Rogério Marinho defende voto aberto na eleição do Senado
Após o lançamento da candidatura, o senador também defendeu mudanças no modelo de votação para a escolha do presidente do Senado. Atualmente, a eleição da Mesa Diretora ocorre por voto secreto.
Marinho afirmou que considera o voto aberto uma forma de ampliar a transparência e permitir que a população acompanhe o posicionamento dos parlamentares.
“Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, afirmou.
A discussão ocorre em meio a uma articulação de parlamentares da oposição para tornar públicos os votos na eleição. Uma das possibilidades discutidas pelo grupo é que senadores divulguem antecipadamente suas escolhas, mesmo que a votação oficial continue secreta.
Senador descarta fazer campanha pelo impeachment de ministros do STF
Marinho também procurou afastar a ideia de que sua candidatura tenha como principal objetivo promover pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O parlamentar afirmou que pretende defender a Constituição e a atuação independente do Senado, mas ressaltou que eventuais denúncias de crimes de responsabilidade contra integrantes da Corte deverão ser analisadas.
“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, declarou.
O senador também criticou a condução do Senado após a eleição de 2023, quando disputou a presidência da Casa contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e foi derrotado.
Segundo Marinho, a oposição não recebeu espaço adequado na composição das comissões e da Mesa Diretora. Ele afirmou que, caso seja eleito, pretende adotar uma postura diferente em relação aos parlamentares que não integram seu grupo político.
Marinho tenta acordo com Tereza Cristina
Apesar de o PL ter oficializado seu nome, Rogério Marinho afirmou que pretende buscar um entendimento com a senadora Tereza Cristina, que também deseja disputar a presidência do Senado.
Segundo ele, os dois conversaram na manhã desta quarta-feira e reconhecem a legitimidade das respectivas candidaturas. A intenção, conforme o parlamentar, é construir uma composição para evitar que a oposição chegue dividida à eleição.
“A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, afirmou.
Tereza Cristina, por sua vez, não anunciou a retirada de sua candidatura. A senadora busca apoio de parlamentares de diferentes partidos e aposta no diálogo com integrantes do Centrão para fortalecer seu nome.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também saiu em defesa da senadora durante a reunião e criticou manifestações de integrantes da direita contra a parlamentar.
A disputa entre os dois nomes é considerada um dos principais desafios para a articulação da oposição. A avaliação é que uma candidatura dividida pode favorecer Davi Alcolumbre, que tenta permanecer no comando da Casa.
Davi Alcolumbre busca reeleição em 2027
Atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre pretende disputar um novo mandato à frente da Casa. Ele conta com apoio de setores do Centrão e de partidos que integram a base governista.
A federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio à permanência de Alcolumbre. As direções de MDB, PSD e PT também manifestaram respaldo ao atual presidente, embora esse posicionamento não signifique necessariamente que todos os senadores dessas legendas votarão nele.
O PL, por outro lado, terá uma das maiores forças da próxima legislatura. A bancada do partido deverá contar com 29 senadores, o que representa um peso importante na disputa, mas ainda exige articulações para alcançar os 41 votos necessários à eleição.
Marinho também conta com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que coordenou sua campanha presidencial, e de integrantes da família Bolsonaro.
A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e será realizada por voto secreto. Até lá, os candidatos devem intensificar as conversas com senadores de diferentes partidos para ampliar o apoio e definir possíveis alianças.














