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EUA anunciam ‘tarifaço’ de 25% sobre produtos brasileiros; Lula diz que terá reciprocidade

EUA anunciam 'tarifaço' de 25% sobre produtos brasileiros; Lula diz que terá reciprocidade

O governo dos Estados Unidos confirmou na noite desta quinta-feira (15) a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O presidente Donald Trump acatou recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e determinou uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de mercadorias.

A medida é resultado de uma investigação que começou em julho de 2025, quando Trump anunciou a primeira sobretaxa de 50% sobre o Brasil.

Conforme o USTR, políticas brasileiras nas áreas de comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, patentes, pirataria, etanol e desmatamento geram insegurança jurídica e concorrência desleal para empresas americanas.

‘Lastimável’, diz Lula sobre novo tarifaço

Em seguida, o presidente Lula repudiou a decisão, classificando-a como um “marco lastimável” na relação bilateral. O Planalto anunciou que usará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para reagir às novas cobranças.

O governo brasileiro voltou a argumentar que os EUA têm superávit comercial com o Brasil. O saldo positivo é de US$ 424,5 bilhões acumulado nos últimos 15 anos. Além disso, Lula argumentou que a maioria dos produtos americanos entra no país sem imposto.

O Planalto afirmou que, mesmo discordando das premissas do tarifaço, nunca deixou a mesa de negociações. No comunicado, o governo também defendeu o Pix, pois considerou “descabidas” as acusações contra o sistema de pagamentos e a regulação de plataformas digitais, e “absurdas” as alegações sobre desmatamento.

Produtos isentos e impacto em Minas

A lista de isenções inclui aeronaves civis, componentes aeronáuticos, café solúvel, mel orgânico, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, pescados, couros, obras de arte, antiguidades, roupas usadas, resíduos com metais preciosos e produtos farmacêuticos. Por outro lado, pedidos de isenção para máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e manufaturados em geral foram rejeitados.

Em Minas, a Federação das Indústrias (Fiemg) alertou que a tarifa pode comprometer a competitividade da indústria brasileira, criando diferença relevante em relação outros países.

Em 2025, o estado registrou a maior perda de valor com exportações para os EUA entre todos os estados brasileiros em setembro. De acordo com a Federação Getúlio Vargas, a queda foi de US$ 236 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), equivalendo a 50,5% na comparação anual.

Os maiores impactos foram no café não torrado (queda de 22,6%) e no ferro-gusa (redução de 58,3%), mesmo este último isento de tarifas.

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