Iris Doroteia Martins morreu no dia 8 de maio deste ano, vítima de um procedimento estético em uma clínica no centro de Divinópolis. O estabelecimento pertencia a biomédica e influencer Lorena Marcondes.
Segundo informações da Polícia Civil, a paciente entrou na clínica por volta das 6h30. Íris teria pago R$ 12 mil por uma lipoescultura. Por volta das 10h20, o SAMU foi acionado e a vítima entrou em parada cardiorrespiratória e foi levada em estado grave para o Complexo de Saúde São João de Deus. Porém, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital no mesmo dia. O Portal MPA teve acesso ao boletim de ocorrência, que constatou que não havia sequer o documento de risco cirúrgico e as provas também tentaram ser ocultadas. A Vigilância Sanitária interditou a clínica no mesmo dia.
Prisões
Lorena e a técnica de enfermagem, Ariele Almeida, foram presas em flagrante e encaminhadas para o Presídio Floramar. Ambas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual, isto é, assumindo o risco de morte. Dois dias depois, as prisões foram convertidas para preventivas.
Em 24 de maio, as duas acusadas receberam habeas corpus parcial e passaram a cumprir prisão domiciliar. Em junho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), proibiu Lorena de exercer sua profissão, bem como utilizar as redes sociais. Além disso, a Justiça bloqueou R$ 100 mil de suas contas bancárias.
No dia 16 de agosto, o advogado Tiago Lenoir, conhecido pelo caso do ex-goleiro Bruno, pediu um habeas corpus total da biomédica. O TJMG a colocou em liberdade, alegando a demora no inquérito. O Portal MPA entrou em contato com a Polícia Civil, que disse que o laudo pericial segue em andamento. A decisão da 1ª Vara Criminal manteve a proibição de redes sociais. Entretanto, alguns perfis com o nome da biomédica foram encontrados.
Caso virou discussão política
O crime tomou dimensões no campo da política da cidade. A Vigilância Sanitária havia recebido uma recomendação de que dia 19 de abril, que a Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis tomasse providências em relação à clínica da Lorena Marcondes, devido a problemas recorrentes relacionados ao alvará sanitário. As acusações se referem a uma denúncia de 2022, de um paciente que teve a boca deformada após um procedimento.
No dia 24 de maio o prefeito Gleidson Azevedo (PSC), foi denunciado no Ministério Público por supostamente ter beneficiado a clínica Lorena Marcondes em relação a Vigilância Sanitária. A biomédica já foi homenageada na Câmara Municipal pelo então vereador Eduardo Azevedo (PSC). Houve a suspeita de que a clínica não foi interditada antes por conta de uma possível amizade
Vereadores de Divinópolis pediram uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a postura do município no caso. O legislativo a denominou como “CPI da Permuta Estética”. O município negou interferência política.















