Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que o empresário tratava como prioridade um pagamento ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma das conversas, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (1º), o ex-ministro e ex-deputado federal Fábio Faria cobra Vorcaro e afirma que “o careca não pode atrasar”.
A mensagem foi enviada no mesmo contexto em que o banco realizou uma transferência de R$ 3.422.268,14 para uma conta do escritório no Itaú.
PF encontrou sequência de mensagens e pagamento
Segundo o relatório da Polícia Federal, em 15 de março de 2024, Fábio Faria enviou a cobrança a Vorcaro.
Na sequência, o empresário encaminhou uma mensagem ao funcionário Angelo Silva, responsável pelo pagamento.
O documento registra posteriormente o comprovante de uma transferência de R$ 3,42 milhões para a conta do escritório de Viviane Moraes.
A expressão “careca” aparece em outros diálogos analisados pela PF. Em janeiro de 2024, por exemplo, Faria informou a Vorcaro que havia confirmado um jantar com “o Careca” para 2 de fevereiro.
Na legenda de uma das imagens reproduzidas no relatório, a própria PF identifica a conversa como relacionada a Alexandre de Moraes.
Contrato previa R$ 3 milhões por mês
O pagamento fazia parte de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
De acordo com as informações apresentadas no relatório, o acordo previa pagamentos de R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, totalizando R$ 108 milhões líquidos ao longo do período.
A investigação também encontrou registros relacionados à elaboração do contrato.
Segundo o relatório, a versão final da minuta teve como última modificação um usuário identificado nos metadados como “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, às 23h04.
O próprio relatório, entretanto, registra o dado como um elemento encontrado durante a análise dos documentos e não apresenta, nesse trecho, uma conclusão sobre quem efetivamente realizou a alteração ou sobre eventual irregularidade relacionada ao fato.
Vorcaro tratava pagamento como prioridade
A cobrança de Fábio Faria aparece em um contexto mais amplo de conversas sobre os pagamentos previstos no contrato.
Segundo a PF, Vorcaro orientava funcionários para que os repasses ao escritório não sofressem atrasos.
Em uma das conversas, o empresário teria classificado aquele pagamento como “o mais importante” para o banco.
A sequência analisada pelos investigadores reúne a cobrança feita por Faria, a orientação interna de Vorcaro e, posteriormente, a efetivação da transferência de R$ 3,42 milhões.
Conversas também citam encontros com “Careca”
A expressão aparece ainda em diálogos relacionados a encontros presenciais.
Em outro trecho do relatório, Fábio Faria encaminha a Vorcaro uma mensagem de um interlocutor identificado como “Alexandre”, propondo um encontro para o dia seguinte, às 19h30.
Depois, Faria confirma o horário do encontro com “Careca”.
No dia seguinte, em uma conversa com a filha, Vorcaro afirma que estava “com alexandre moraes”, segundo o relatório.
Também há registros anteriores, de janeiro de 2024, nos quais Faria utiliza um emoji de um homem careca para se referir a uma pessoa que não é identificada nominalmente naquele momento. Posteriormente, o mesmo interlocutor aparece como “o Careca”, em referência a um jantar que a PF associa a Moraes.
O que a PF encontrou
O material faz parte do relatório apresentado pela Polícia Federal ao STF no âmbito da investigação sobre a atuação de Daniel Vorcaro e sua rede de contatos.
Os documentos analisados pelos investigadores incluem o contrato entre o Banco Master e o escritório, registros de pagamentos, conversas sobre a prioridade dos repasses e referências a Alexandre de Moraes pelo apelido “Careca”.
Esses elementos, isoladamente, não estabelecem que Alexandre de Moraes tenha cometido crime ou participado de qualquer irregularidade relacionada aos fatos.
Também é importante distinguir os elementos reunidos no relatório de uma eventual conclusão definitiva sobre as condutas investigadas. O documento apresenta informações obtidas pela PF para análise no curso da investigação.













