Uma investigação conduzida por autoridades federais identificou grupos extremistas que discutiam possíveis ataques contra prédios públicos em Brasília. Segundo informações divulgadas pelo Fantástico, os integrantes compartilhavam materiais relacionados aos edifícios e planejavam possíveis ações violentas.
Entre os locais mencionados nas conversas estavam o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, ministérios e o Supremo Tribunal Federal (STF).
As mensagens foram identificadas pelo CyberLab, laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública voltado à investigação de crimes cibernéticos e grupos que disseminam conteúdos de ódio e incentivo à violência.
Grupo extremista tinha mais de 600 integrantes
A investigação identificou dois grupos em uma plataforma de mensagens. O maior reunia mais de 600 participantes.
Integrantes considerados mais radicalizados eram direcionados para um grupo restrito, que tinha 46 pessoas.
Segundo as autoridades, as conversas nesse núcleo apresentavam conteúdo relacionado à prática de atos violentos.
O acesso aos grupos era controlado pelos administradores, que selecionavam novos participantes considerados alinhados aos objetivos do grupo.
A investigação também encontrou mensagens relacionadas à tentativa de recrutar pessoas para outros grupos extremistas.
Palácio do Planalto estava entre os alvos
De acordo com os investigadores, os integrantes discutiam possíveis ações contra diferentes prédios públicos de Brasília.
O Palácio do Planalto aparecia entre os principais locais mencionados nas conversas. Também foram identificados materiais relacionados ao Congresso Nacional, ao STF e a ministérios.
As autoridades afirmam que os integrantes discutiam possíveis formas de acesso aos edifícios e compartilhavam informações sobre os locais.
Outro plano mencionado nas conversas envolvia um edifício que seria utilizado para um debate entre candidatos eleitos no segundo turno das eleições.
Investigação aponta incentivo à violência
O relatório elaborado pelo CyberLab classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as conversas apresentavam elementos de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
Os participantes também defendiam ideias relacionadas a uma suposta “revolução” e à “abolição do Estado”.
A investigação aponta ainda que os administradores buscavam identificar pessoas dispostas a praticar atos violentos.
CyberLab monitora grupos de ódio
As mensagens foram identificadas durante o trabalho do CyberLab, laboratório que acompanha grupos e perfis utilizados para disseminar conteúdo de ódio e incentivar violência.
Segundo o Ministério da Justiça, o laboratório produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio durante o período analisado.
Entre os conteúdos identificados estavam mensagens racistas, homofóbicas e misóginas.
Também foram encontradas ameaças contra mulheres que ocupavam funções públicas, como delegadas, juízas e investigadoras.
Operação cumpriu mandados em cinco estados
Na última terça-feira, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.
Computadores e celulares apreendidos durante a operação passaram a ser analisados pelos investigadores.
Os envolvidos são investigados por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.
As autoridades avaliam que havia risco de os planos discutidos nos grupos avançarem para ações concretas.
A análise dos equipamentos apreendidos deve ajudar os investigadores a identificar outros envolvidos, possíveis conexões e novos elementos sobre os planos.
Investigação continua
As autoridades ainda analisam o conteúdo encontrado nos aparelhos apreendidos e as comunicações dos grupos.
O objetivo é verificar a dimensão da organização, identificar possíveis novos integrantes e entender até que ponto os planos discutidos na internet chegaram a ser estruturados.
Até o momento, as informações divulgadas tratam de planos e discussões identificados durante a investigação, não de ataques efetivamente realizados contra os prédios mencionados.
Entenda o papel do CyberLab
O CyberLab é um laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública voltado ao enfrentamento de crimes praticados ou articulados no ambiente digital.
O trabalho inclui o monitoramento e a produção de informações sobre grupos que disseminam conteúdos de ódio, ameaças e incentivo à violência.
No caso investigado, os dados coletados ajudaram as autoridades a identificar os grupos e os conteúdos que motivaram a operação.














