A derrota por 1 a 0 para o Botafogo, na noite dessa quarta-feira (4/11), pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, agravou o momento negativo do Atlético. O resultado levou o time à quinta derrota consecutiva na temporada e aumentou para três partidas a sequência sem marcar gols. Depois do jogo, o técnico Eduardo Domínguez afirmou que a equipe precisa evoluir na organização coletiva para criar mais oportunidades, mas ressaltou que a conclusão das jogadas também depende da qualidade individual dos atletas.
Na avaliação do treinador argentino, o Atlético precisa construir melhor as jogadas e alcançar a área adversária em condições mais favoráveis. Para Domínguez, o funcionamento coletivo é essencial para abrir espaços e produzir chances, mas não garante, por si só, que a bola termine nas redes. A etapa final da jogada envolve decisões tomadas pelos jogadores e a capacidade técnica de cada um nas finalizações.
Domínguez utilizou o Barcelona dirigido por Pep Guardiola como referência para explicar a importância dos talentos individuais em equipes organizadas. O técnico considera aquele time espanhol um dos melhores da história, mas lembrou que até uma equipe com alto nível de jogo coletivo precisou de um jogador capaz de marcar 90 gols em um único ano.
O exemplo foi usado para reforçar que a estrutura tática pode favorecer a criação de oportunidades, mas a definição dos lances exige atletas capazes de resolver. Na visão do comandante atleticano, o trabalho de treinamento pode preparar a equipe para chegar à grande área e estabelecer maneiras de atacar, porém não determina exatamente como cada jogador executará a jogada.
“Um dos melhores times de todos os tempos foi o Barcelona, com o Guardiola. Precisou de um jogador que fez 90 gols em um ano. Boa estrutura, bom jogo, mas só um jogador teve que fazer 90 gols no ano. É a capacidade individual”, declarou Domínguez após a partida.
O treinador também mencionou lances envolvendo Victor Hugo, Fred e Reinier. Segundo ele, são exemplos de ações que surgem da iniciativa e da leitura dos próprios atletas durante o jogo, e não de movimentos previamente determinados pela comissão técnica.
Domínguez explicou que o Atlético pode ser orientado sobre como entrar na área e receber suporte coletivo para criar situações de ataque. A partir desse momento, entretanto, a decisão sobre o domínio, o giro, o chute ou a finalização passa a ser responsabilidade individual. O técnico citou o controle de Victor Hugo, seguido de giro e finalização, além da jogada de Fred e de ações de Reinier e de outros jogadores.
“Nós podemos ajudar o time a chegar com possibilidades na grande área ou ensinar como entrar na grande área. Depois, é a resolução do jogador. É individual. Eu não treinei que Victor Hugo controlasse girando e chutasse ao gol como ele fez no clássico. Ou que Fred controlasse a bola e finalizasse como ele fez. Ou como Reinier e muitos outros”, afirmou.
O jejum ofensivo foi registrado nas derrotas para Cruzeiro, Grêmio e Botafogo. Nesses três compromissos, o Atlético finalizou 50 vezes, mas não conseguiu marcar. O dado evidencia a dificuldade da equipe para converter em gols as oportunidades produzidas e aumenta a pressão sobre o time, que atravessa uma sequência de cinco resultados negativos.
Atlético precisa vencer o Grêmio por pelo menos três gols
A equipe terá no sábado (7/11) o compromisso considerado mais importante da temporada até o momento. O Atlético receberá o Grêmio no jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil e precisará vencer por uma diferença mínima de três gols para alcançar a decisão do torneio.
Mesmo diante da série de derrotas e da ausência de gols nos últimos três jogos, Eduardo Domínguez demonstrou confiança na reação do elenco. O treinador reconheceu o grau de dificuldade do confronto, citou a qualidade do Grêmio e destacou a experiência do técnico adversário, que classificou como um dos grandes treinadores do Brasil.
Domínguez afirmou que a classificação não será simples, mas disse confiar nos jogadores e no grupo atleticano. Para ele, a equipe terá condições de buscar o resultado necessário, apesar do cenário desfavorável construído pelos últimos resultados e pela desvantagem no confronto.
“Estamos confiantes. Não quer dizer que vai ser fácil, vai ser muito difícil. Contra um time muito capacitado, com um treinador muito experiente. Um dos grandes treinadores que há no Brasil. Será um confronto muito duro. Mas eu confio muito no meu jogador, no meu grupo. Eu confio muito. Sei que vamos poder fazer”, declarou o técnico.
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