Pular para o conteúdo

Morre aos 93 anos o cineasta italiano Tinto Brass, diretor de “Calígula”

Image
Imagem: Mondadori Portfolio/Mondadori Portfolio via Getty Im

O cineasta italiano Tinto Brass, conhecido internacionalmente por dirigir “Calígula”, morreu aos 93 anos em Roma. A morte foi confirmada pela família em um comunicado divulgado à imprensa local. A nota não informa a causa do falecimento, e o funeral deverá ser realizado em uma cerimônia privada.

Brass construiu uma carreira marcada por filmes que combinavam erotismo, humor e uma abordagem libertária. Ao longo de sua trajetória, tornou-se um dos principais nomes associados ao cinema erótico europeu, em uma produção frequentemente cercada por censura, controvérsias e debates sobre os limites da representação artística.

Entre seus trabalhos, “Calígula”, lançado em 1979, permanece como o título mais controverso de sua filmografia. O longa provocou fortes reações por apresentar cenas explícitas de sexo e violência. O conteúdo levou o filme a ser proibido em salas de cinema e também gerou críticas e disputas relacionadas à forma como esses temas foram retratados.

A repercussão de “Calígula” contribuiu para associar definitivamente o nome de Tinto Brass a uma vertente provocadora do cinema europeu. A obra passou a ocupar um lugar central nas discussões sobre censura, moralidade e liberdade de criação, temas que acompanharam parte significativa da carreira do diretor.

Trajetória começou na Cinemateca de Paris

Nascido Giovanni Brass, em 26 de março de 1933, em Milão, o cineasta adotou ainda na infância o nome artístico Tinto Brass. O pseudônimo foi inspirado no pintor Tintoretto, referência que passou a acompanhá-lo durante toda a vida profissional.

O início de sua trajetória ocorreu nos círculos da Cinemateca de Paris, em um período marcado pela Nouvelle Vague. A aproximação com aquele ambiente contribuiu para sua formação no cinema e colocou Brass em contato com um momento de intensa renovação estética e narrativa na produção cinematográfica.

Mais tarde, Brass trabalhou como assistente do cineasta Roberto Rossellini. Entre as produções ligadas a essa etapa está “O General della Rovere”, de 1959. A experiência ao lado de Rossellini fez parte dos primeiros passos profissionais de Brass antes de sua consolidação como diretor.

Com o passar dos anos, Tinto Brass desenvolveu uma filmografia baseada em produções provocadoras, frequentemente voltadas ao questionamento de convenções morais. Seus filmes transitaram entre o erotismo e o humor, com uma abordagem considerada libertária e capaz de provocar reações distintas entre o público e a crítica.

A carreira do diretor foi, portanto, marcada por uma combinação de controvérsia e influência. Embora tenha enfrentado censura e disputas em torno de suas obras, Brass também se consolidou como uma figura de destaque no cinema europeu. Sua morte encerra a trajetória de um cineasta cuja produção esteve permanentemente associada ao debate sobre os limites da arte e da representação.