A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, da Novo Nordisk — usado para tratamento de obesidade e sobrepeso. O produto já era vendido no país, mas apenas na versão injetável, conhecida como “canetinha”. Agora, a agência autorizou a comercialização de comprimidos de 25 mg, para uso diário.
A Novo Nordisk já tem outro medicamento oral da mesma classe no mercado, o Rybelsus, mas ele é indicado para diabetes tipo 2, e não para obesidade. A farmacêutica informou que o Wegovy em comprimidos deve começar a ser vendido no Brasil no próximo trimestre. Porém, o preço ainda não foi divulgado.
Também nesta quarta-feira (4), a Novo Nordisk elevou a projeção de lucros e vendas para este ano, após um trimestre acima das expectativas. O lucro operacional do terceiro trimestre alcançou 31,72 bilhões de coroas dinamarquesas — cerca de R$ 26,09 bilhões —, crescimento de 27% em relação ao trimestre anterior.
Com o resultado, a empresa passou a projetar crescimento de 2% nas vendas e no lucro operacional ajustados. Antes, a expectativa era de estabilidade ou até queda de 6% em relação a 2025. Em comunicado, o presidente-executivo da companhia, Mike Doustdar, afirmou que o crescimento foi impulsionado pelo portfólio de produtos para obesidade e, sobretudo, pela adoção da versão em comprimidos do Wegovy no mercado dos Estados Unidos.
Como funciona a semaglutida, comprimido aprovado pela Anvisa?
A semaglutida imita o GLP-1, hormônio que o intestino libera depois das refeições. Ele avisa o cérebro de que o corpo já recebeu comida, o que reduz a fome, e faz o estômago esvaziar mais devagar, prolongando a sensação de saciedade.
Pela boca, o caminho é mais difícil: boa parte da substância é destruída no estômago antes de chegar ao sangue. Por isso, o comprimido diário tem 25 mg, enquanto a injeção semanal de manutenção usa 2,4 mg.
O princípio ativo é o mesmo da caneta. No principal estudo que embasou a aprovação, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, os participantes que tomaram o comprimido perderam, em média, 13,6% do peso em 64 semanas. No grupo que recebeu placebo, a perda foi de 2,2%.
Conforme os autores, o resultado se aproxima do observado com a caneta. Com esse dado, a fabricante passou a dizer que, pela primeira vez, um comprimido entrega a mesma eficácia de uma injeção no tratamento do excesso de peso.











