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Ator que interpretou Alexandre em “A Viagem” é condenado a pagar R$ 407 mil à Globo e tem sigilo fiscal solicitado em processo judicial

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Imagem: Divulgação/Globo e Mastrangelo Reino/Folhapress Ilustrada

O ator Ewerton de Castro, de 80 anos, conhecido por interpretar o personagem Alexandre na primeira versão da telenovela “A Viagem”, exibida em 1975, voltou a ser alvo de uma disputa judicial com a Globo, que agora solicita a quebra do sigilo fiscal do artista devido a uma dívida de aproximadamente R$ 407 mil. A condenação, já definitiva, decorre de uma ação movida pela emissora relacionada a uma multa contratual que o ator teria que pagar, envolvendo questões de acesso ao roteiro antes da assinatura do contrato.

Ewerton de Castro iniciou sua carreira na televisão em 1967 e rapidamente conquistou espaço em novelas e programas de destaque. Sua trajetória inclui participações em produções como “Sítio do Picapau Amarelo” (na Band), onde interpretou o Visconde de Sabugosa, além de trabalhos em “A Revolta dos Anjos” e “Vidas Marcadas”. No entanto, foi em “A Viagem” que seu papel de Alexandre se consolidou como uma de suas atuações mais marcantes. Na trama, seu personagem, condenado por homicídio, comete suicídio na cadeia e, após a morte, retorna com o objetivo de vingar-se de pessoas com quem tinha conflitos, uma narrativa que marcou a história da teledramaturgia brasileira.

Após o sucesso em “A Viagem”, Ewerton acumulou mais de 30 trabalhos em diferentes emissoras, com uma passagem significativa pela Globo. Entre as produções nas quais atuou na emissora carioca estão “Roque Santeiro” (1985), “Riacho Doce” (1990), “Fera Ferida” (1993) e “Os Maias” (2001). Nos anos 2000, seu trabalho incluiu as novelas “De Corpo e Alma” e a minissérie “O Quinto dos Infernos”. Este último projeto representou um ponto de ruptura na relação dele com a Globo, levando-o a deixar a emissora durante as gravações em 2002.

Segundo Ewerton, a saída ocorreu por sentir-se desrespeitado artisticamente. Em entrevista à Folha de S.Paulo na época, o ator afirmou que seu personagem na minissérie não tinha falas e raramente era enquadrado pela câmera, o que o deixou insatisfeito após 34 anos de carreira. A Globo, por sua vez, processou o ator alegando quebra de contrato, informando que precisou reescrever o roteiro de “O Quinto dos Infernos” devido ao seu abandono, o que teria causado prejuízos à produção. A emissora declarou que, diante do desaparecimento do personagem de Ewerton, foi necessário alterar vários capítulos para evitar prejuízos à narrativa.

Depois de deixar a Globo, Ewerton de Castro migrou para a RecordTV, participando de diversas novelas e minisséries, incluindo “Escrava Isaura”, “Essas Mulheres”, “Bicho do Mato”, “Chamas da Vida” e “A História de Ester”, considerada seu último trabalho na televisão. Em 2011, o ator anunciou sua aposentadoria da dramaturgia e mudou-se para os Estados Unidos, onde reside desde então. Desde então, ele tem se mantido afastado dos holofotes, sendo lembrado principalmente por seus trabalhos antigos.

A disputa judicial envolvendo o ator e a Globo culminou com uma sentença de 2023, que condenou Ewerton a pagar a multa contratual devida. A decisão considerou que o ator teve acesso ao roteiro antes de firmar o contrato e que a emissora cumpriu suas obrigações contratuais. Como o valor não foi pago e as penhoras existentes não foram suficientes para quitação, a Globo solicitou a quebra do sigilo fiscal do ator, além do bloqueio de suas contas bancárias, em uma tentativa de assegurar a cobrança. Essas medidas fazem parte de uma fase de execução do processo, que transitou em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso, reforçando a cobrança da dívida de forma coercitiva.