Um caso da forma atípica da doença foi confirmado pelo Mapa; esse tipo é o menos perigoso e pode não ser contagioso
Após o Ministério da Agricultura confirmar um caso de mal da vaca louca, em Marabá, no Pará, na última quarta-feira (22), o mercado exportador de carne bovina sofreu queda nas ações e a China, principal parceiro comercial na importação do alimento, teve carga barrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
No Brasil, os últimos casos da doença foram registrados em 2021, em frigoríficos de Belo Horizonte (MG) e de Nova Canaã do Norte (MT). Na época, a China suspendeu as importações por quatro meses.
Entenda o que é a doença
A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida popularmente como mal da vaca louca, é uma doença degenerativa que atinge o sistema nervoso dos bovinos, deixando-os agressivos e com dificuldade de locomoção.
Ela é causada por partículas infecciosas de proteína, chamadas de príon. Os príons são derivados de uma proteína normal mas, devido a uma transformação, começam a se replicar com deformidades e acumulam nas células do sistema nervoso central. A doença pode ser de dois tipos, clássica ou atípica.
Em sua forma clássica, ela chega aos bovinos através dos alimentos provenientes de carcaças infectadas. Por isso, no Brasil é proibido por lei, desde 1996, alimentar bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos, com qualquer alimento ou resíduo que contenha proteína de origem animal.
A doença do tipo clássica pode ser transferida para humanos que consumirem carne infectada, causando a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), cujo sintomas são mudanças de personalidade, ansiedade, depressão e perda de memória. A doença não tem cura e causa deterioração progressiva da função mental, levando à demência.
Já a forma atípica do mal da vaca louca é causada por uma mutação natural das células, sem motivações externas e que, geralmente, atinge animais mais velhos. Acredita-se que a doença atípica não é contagiosa, apesar de não existirem pesquisas que comprovem isso.
A forma clássica da doença já atingiu a Europa em 1986, com pico em 1992, quando diversos países precisaram abater milhões de bovinos. No Brasil, nunca houve registro desse tipo da doença, apenas do atípico, o que nunca rendeu grandes prejuízos à saúde dos animais, nem dos humanos.
Foto: Pexels.
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