Por Felipe Machado
“A arte é um remédio para minhas tristezas: se a saudade aperta, misturo as tintas em cores vivas e me transporto para um mundo novo.”
Há 100 anos, em 6 de março de 1925, nascia Celeste Brandão, artista divinopolitana que grande renome e vasta obra, desde a música até a poesia, e que se imortalizou na pintura.
Filha de Acylino Dinis Moreira e Simpliciana Correa Brandão, professora e musicista. Foi da mãe que herdou o gosto pela arte, à valorização da cultura e o amor à suas raízes, sua terra.
Desde cedo, por influência da família, principalmente da mãe, que já seguia os ramos das artes, Celeste dedicou-se à música, à poesia e á pintura. A mãe, professora e vice-diretora do Grupo Escolar Padre Matias Lobato, foi considerada emérita educadora mineira, que prestou em nosso estado, os mais relevantes serviços à causa do ensino.
Musicista e grande pianista, em 1936, o então juiz de Direito Dr. José Pereira Brasil, levou até a Sra. Simpliciana Brandão seu poema e sua ideia musical para o ‘Hino de Divinópolis’. Simpliciana foi a grande responsável pelo arranjo e pela partitura, conforme o pedido de Dr. José Pereira Brasil. falecida aos 60 anos de idade, em 1946, não viu, em 1º de agosto de 1967, mais de três décadas após a composição desta obra, o Hino de Divinópolis é oficializado pela Lei nº 761/67.
Seguindo seus passos, Celeste dedicou-se à música, principalmente ao piano. Compôs, na década de 1940, a música ‘Ame o sol, por favor’, regranvada em 2007 para seu documentário. Na poesia, travou um apelo e amor à arte, cumprindo o papel com maestria.
“A arte é terapêutica
Incompreendida.
Às vezes apreciada.
Mas nunca,
o verdadeiro artista
conseguirá
viver sem a arte”
Por Celeste Brandão
Suas grandes obras aconteceram no ramo da pintura, onde trabalhou forma incessante até prestes a falecer. Celeste é considerada uma artista primitivista, se nos atendermos ao academicismo em suas obras. Iniciou sua carreira na década de 1960, participante de várias mostras e exposições em Divinópolis, que abriram suas experiência no mundo das artes plásticas. Em 1962 participa do Cinqüentenário de Divinópolis, quando expõe seus trabalhos no Sobrado do Largo da Matriz, onde hoje se abriga o Museu de Divinópolis.
Lázaro Barreto destaca, no livro ‘Memorial de Divinópolis’, o ano de 1966 como o da individual Celeste, que define como “cujo trabalho de remontagem de formas arcaicas ainda não foi devidamente estudado.”
Outras exposições marcam seu trabalho na cidade, como na ocasião das comemorações dos 40 anos do Jornal A Semana, participa da mostra individual: ‘O Sobrado em Diversas Épocas’.
Longe desta terra, também levou nossa cultura e representou Divinópolis, como em Diamantina, quando se junta aos demais artistas, na coletiva: ‘Arte Divinópolis’, e em Belo Horizonte, ao associar-se a pintores mineiros, numa exposição, no Serrano Palace Hotel. Ainda na capital, Cleste fez nome ao expor suas telas na Feira Hippie da Praça da Liberdade e nas Copiadoras: Delta e Cometa.
De volta à cidade, Celeste participa de outros eventos, como a ‘Semana de Arte do Colégio Frei Orlando’, a inauguração da galeria de arte ‘Novo Estilo’, onde apresenta a exposição “Celeste Brandão — um legado de ingenuidade”. Na Galeria Petrônio Bax, realiza a Mostra ‘Eu Sou Divinópolis’ e com um sugestivo nome, ‘Divinópolis em Quadros’, Celeste Brandão inaugura um novo espaço destinado a divulgar a cultura local.
Nas escolas, participa da coletiva ‘Arte Na Cidade’, promovida pela E. E. Dona Antônia Valadares, e de uma exposição individual no Colégio Anglo, também em Divinópolis. Na antiga FUNEDI, hoje UEMG-Divinópolis, Celeste participa somando a uma programação do ‘Projeto Cultural: CQV — Passe & Fique’.
Alguns espaços importantes reservam a arte de Celeste Brandão como referência. É o caso do Terminal Rodiviário Joaquim Martins Lara, no Bairro Bom Pastor, decorado com um enorme painel que leva sua assinatura. Também no Hospital São João de Deus, no bairro Niterói, uma de suas alas eterniza a obra de Celeste Brandão com um belo painel em exposição permanente.
Em 26 de setembro de 2007 aconteceu o lançamento do documentário ‘Celeste Brandão: o traço da memória’, produzido por Adriano Reis e Osvaldo André, no recém inaugurado Teatro Usina Gravatá. Casa cheia nas duas sessões seguidas. O documentário está disponível no Youtube, e pode ser conferido pelo link:
CELESTE BRANDAO O TRACO DA MEMORIA — YouTube
Em 2011, recebeu da Prefeitura de Divinópolis a mais alta condecoração do município, a ‘Comenda Prefeito Antônio Martins Guimarães’, valorizando suas participações que sempre elevaram o nome da cidade e por eternizar, em seus traços e riscos, a memória desta terra.
Na mesma época, foi lançado o projeto ‘Celeste Brandão — Ame o Sol, Por Favor’, com o objetivo de além de resgatar, preservar e divulgar a obra da artista divinopolitana, promovendo a democratização do acesso às suas obras e sua disponibilização em novos suportes de mídia como uma homenagem a artista.
Celeste Brandão faleceu em 29 de junho de 2016, aos 91 anos, residindo em Belo Horizonte. Foi velada e sepultado no Cemitério do Bonfim, também nesta capital. Deixou, durante a vida, o amor por uma cidade, o amor pela arte, e um legado imortal em suas diversas obras.
Algumas outras obras de Celeste Brandão que ilustram a história de Divinópolis:









Imagens: Museu Fotográfico de Divinópolis / Acervo Salete Michelini. Acesso: https://preciocidade.blogspot.com/2018/09/a-cidade-na-visao-dos-artistas.html
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FONTES:
Documentário: “Celeste Brandão: O Traço da Memória”. Acesso: CELESTE BRANDAO O TRACO DA MEMORIA – YouTube
BARRETO, Lázaro; Memorial de Divinópolis. Divinópolis, 1992
CAMILLO, Fernando; Biografia Celeste Brandão. BlogDurok-“capítulos que a vida inspira”, publicado em: 2 de dezembro de 2011: https://fernandocamillo.blogspot.com/2011/12/biografia-celeste-brandao.html
MICHELINI, Salete; Celeste Brandão. Grupo Memória de Divinópolis, Facebook; publicado em 21 de amio de 2019.















