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Escritor de Divinópolis lidera movimento para analisar possível ossada de Tiradentes

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O programa Bom Dia Divinópolis recebeu nesta terça-feira (21) o escritor Flávio Ramos, autor do livro ‘Perfume de sangue’, inspirado na história de Tiradentes. A participação integrou a programação, na data que relembra um dos personagens mais marcantes da história do Brasil.

Flávio lidera um trabalho para viabilizar a identificação genética de ossos atribuídos a Joaquim José da Silva Xavier. Os restos estão preservados no Museu Sacro Histórico de Tiradentes, localizado no distrito de Sebollas, em Paraíba do Sul.

Tiradentes nasceu em 12 de novembro de 1746, na Fazenda do Pombal, em Ritápolis. Já o dia 21 de abril marca sua execução, em 1792, quando foi enforcado no Campo da Lampadosa, aos 45 anos.

Segundo relatos históricos, após a execução, o corpo do alferes foi esquartejado e exposto ao longo da antiga Estrada Real. Um desses pontos foi Sebollas, onde, em 1972, ossos foram encontrados em um jazigo que, segundo tradições orais, teria sido utilizado para preservar partes do corpo do inconfidente.

Os restos mortais foram levados ao museu local, onde permanecem até hoje. Com os avanços da tecnologia, a proposta atual é realizar exames de DNA e análises forenses para confirmar se o material realmente pertence a Tiradentes e, eventualmente, reconstruir aspectos de sua aparência física.

Além da identificação, há também a intenção de repatriar parte dos ossos para Minas Gerais. Caso a autenticidade seja comprovada, a ideia é que os restos sejam levados ao Museu da Inconfidência, onde estão homenageados outros participantes do movimento.

Para os envolvidos, a iniciativa representa não apenas um avanço científico, mas também um reforço na preservação da memória histórica do Brasil, especialmente em Minas Gerais, berço de um dos principais símbolos da luta contra o domínio colonial.

Durante a entrevista, o autor destacou que seu interesse por Tiradentes vem de longa data e tem forte ligação com suas origens. Natural de São João del-Rei, cidade historicamente associada à trajetória do inconfidente, Flávio contou que esse vínculo despertou desde cedo sua curiosidade pela vida e pelos mistérios que cercam a figura histórica.

“São dois fatos que sempre me levaram a estudar a vida de Tiradentes. O primeiro deles é porque eu sou natural de São João del-Rei. O fato de eu ter nascido na terra de Tiradentes fez com que eu sempre gostasse de pesquisar muito sobre ele. Nesse livro que eu escrevi — considerando que já são oito publicados — imaginei um romance ficcional com Tiradentes passando pela cidade de Pitangui e se apaixonando por uma das mulheres poderosas daquela época, como Maria Tangará e Joaquina de Pompéu”, ressaltou.

Museu Tiradentes em Sebollas

O escritor explicou que a obra combina elementos históricos com ficção, criando possibilidades narrativas sobre passagens da vida de Tiradentes em cidades mineiras, como Pitangui. Além disso, o livro aborda aspectos menos conhecidos da trajetória do inconfidente, como o período em que atuou como mascate antes de ingressar na carreira militar.

Flávio Ramos também destacou episódios importantes da vida pessoal de Tiradentes, como a perda precoce dos pais e as mudanças que isso trouxe para sua trajetória. “Tiradentes perdeu os pais cedo. Primeiro morreu a mãe e, alguns anos depois, o pai. Apesar de pertencerem a uma classe social mais abastada, já que o pai era proprietário de fazenda, a família acabou se desestruturando após essas perdas”, explicou.

A entrevista trouxe ainda reflexões sobre as diversas narrativas e lendas que cercam Tiradentes, especialmente os acontecimentos posteriores à sua execução, que até hoje despertam curiosidade e diferentes interpretações históricas.

Sobre a História de Tiradentes:

Figura central da Inconfidência Mineira, Tiradentes nasceu em 1746 e atuou como dentista, tropeiro, minerador e militar. Como alferes da tropa colonial, passou a se envolver com ideias de independência inspiradas no Iluminismo. Tornou-se um dos principais articuladores do movimento que buscava libertar Minas Gerais do domínio português. Após a conspiração ser descoberta, foi preso, julgado e condenado. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro, tornando-se símbolo da luta pela liberdade e, posteriormente, um herói nacional. VEJA ENTREVISTA: