Divinópolis recebe Seminário sobre Economia Criativa e Inovação

Postado em 20/07/2019 15:09

Com os novos tempos e a necessidade de se adaptar, muitas pessoas em todo país têm mudado suas trajetórias para investir em um bem ou serviço de forma criativa. No dia 1º de agosto, quinta-feira, Divinópolis é sede do Seminário “Economia Criativa e Inovação”, que vai propor discussões sobre economia criativadentro do segmento cultural. A atividade dá início ao programa ATIVA que, de agosto a novembro de 2019, promove na região o estímulo à profissionalização e à geração de renda a partir do investimento em formação, fomento e disseminação de serviços e produtos desenvolvidos por artistas, artesãos e profissionais da cultura. O seminário, que pertence à primeira fase do programa, será realizado no Teatro Municipal Usina Gravatá, de 13h30 às 20h, aberto ao público de Divinópolis e de todo Estado. A entrada é gratuita, com inscrições pelo Sympla. A casa está sujeita à lotação (capacidade: 296 pessoas). Mais informações para o público nas redes sociais: @aceleradoraativa e https://www.facebook.com/aceleradoraativa. Este projeto é realizado pela Imago design e eventos com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

Durante uma tarde de trabalhos, pesquisadores e empreendedores culturais vão discutir novos conceitos e estratégias em torno da economia criativa e compartilhar experiências. “Diante do atual contexto político e econômico do país, é fundamental considerar a inteligência criativa de agentes culturais como uma força potencialmente geradora de ativos e inovação social”, destaca uma das coordenadoras do programa, a empreendedora social, educadora e consultora em Economia Criativa, Joana Meniconi.

A programação abre às 14h com breve apresentação do programa ATIVA com participação especial do empreendedor criativo de Divinópolis, Igor Bastos, que traz panorama da atual situação econômica da região, além de explicar como tem funcionado o Comitê de Economia Criativa Vale do Rio Pará, criado em janeiro deste ano, com o objetivo de fortalecer a economia local. Serão realizadas também duas mesas de trabalho. A mesa 1, às 14h30, traz o tema “Territórios criativos: da margem para o centro”. Como ponto de partida para o debate foi colocada a questão: é possível gerar riqueza econômica a partir dos recursos naturais e saberes tradicionais presentes em um dado território? Entre os convidados está a professora universitária da FUMEC e IEC/PUC Minas e pesquisadora em Design Gráfico, Design Social e Inovação Social, Juliana Pontes, e também Kamila Brito – hacker, especialista em Inovação do projeto “Barco Hacker” (Belém, PA), e o empreendedor, compositor, MC e agitador cultural, Kdu dos Anjos, do “Lá na Favelinha” (Belo Horizonte).

A mesa 2 começa, às 17h, com o tema “Inovação em rede: novas dinâmicas de produção”, que vai promover discussões em torno da articulação de uma inteligência coletiva e do uso de recursos locais para transformá-los em produtos e serviços inovadores, com maior valor econômico agregado. Em seguida, a empreendedora criativa e agente de inovação na TroposLab, Elena Campos, fala sobre processos colaborativos com apresentação de métodos e experiências práticas de projetos realizados em rede. Logo após, será apresentada a iniciativa Evoé Incentivo Cultural (Belo Horizonte, MG), com a empreendedora sociocultural e fundadora da plataforma de financiamento coletivo, Bruna Kassab, e a trajetória do professor de criatividade, colaborador da Perestroika (Belo Horizonte) e diretor do MECA Festival, Cleu Oliver (São Paulo, SP).

Ao final do Seminário, às 19h, haverá lançamento do EDITAL para a aceleração de projetos culturais e artísticos que tenham como propósito desenvolver a área cultural de Divinópolis e região, com profissionalização e geração de renda. Serão selecionados 10 empreendedores da cidade para vivenciarem imersões e capacitações com representantes da pesquisa e do empreendedorismo cultural criativo em Belo Horizonte como Osmar Alves de Oliveira Neto, Laísa Bragança, Fernando Maculan, Romulo Avelar, Carolina Braga, Andreia Costa e Joana Meniconi.

O PROGRAMA ATIVA

ATIVA é um programa de formação, fomento e disseminação de serviços e produtos desenvolvidos por artistas, artesãos e profissionais da cadeia da EconomiaCriativa a ser realizado em Divinópolis (Minas Gerais) entre agosto e novembro 2019. Serão promovidos 4 ciclos de ações compostas por Seminários, Imersão para cocriação dos produtos e serviços, Mentorias aplicadas aos empreendimentos e Mostra final para apresentação dos resultados.

Como apoio, o programa irá oferecer a capacitação em metodologias de negócios de inovação, recursos financeiros para o desenvolvimento de novos produtos e assistência na comunicação institucional das iniciativas, por meio da impressão de peças gráficas e produção audiovisual. A capacitação dos empreendedores selecionados tem início com uma vivência de imersão em modelagem de negócios e cocriação de novos produtos e serviços. 

Com os projetos em mãos, os empreendedores passam para a etapa de realização, que terá como foco o planejamento estratégico dos negócios, a prototipagem e o desenvolvimento dos produtos finais. Esse processo prevê aulas coletivas para exposição de conceitos, metodologias e ferramentas utilizadas na administração de negócios “tradicionais” e de inovação, seguidas de encontros de mentorias que irão trabalhar necessidades específicas de cada projeto. Espera-se que ao final, cada grupo tenha em mãos um plano de negócio estruturado, um novo produto ou serviço desenvolvido e pronto para circular através de estratégias de comunicação online e offline.

A quarta e última etapa consiste na apresentação dos novos produtos e sistematização dos resultados alcançados pelas etapas anteriores do programa. A ação principal será a realização de um evento aberto à população geral de Divinópolis e que contará com a participação de outros atores do setor artístico e cultural da região. A programação de lançamento dos produtos das iniciativas incubadas contará com apresentações de artistas locais e uma mostra. 

EMPREENDEDORISMO CRIATIVO CULTURAL

Segundo o “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, publicado pela FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), em 2016 o setor gerou R$ 155,6 bilhões de economia brasileira durante um ano. Estes números expressivos reforçam a importância do setor para o desenvolvimento do país. 

O estudo considera a indústria criativa a partir de 13 segmentos, organizados em 4 grandes áreas: Consumo (design, arquitetura, moda e publicidade), Mídias (editorial e audiovisual), Cultura (patrimônio e artes, música, artes cênicas e expressões culturais) e Tecnologia (pesquisa e desenvolvimento (P&D), biotecnologia e tecnologia da informação e comunicação) (TIC). 

Um dos parâmetros avaliados em pesquisas da FIRJAN sobre o setor criativo é o número de trabalhadores formais em cada uma das áreas, cabendo à Cultura o menor número de pessoas empregadas. Esse dado nos aponta para uma realidade de uma área que se utiliza principalmente do empreendedorismo para a manutenção de suas atividades. 

Pensando nisso, o ATIVA – programa de aceleração de projetos culturais – optou por focar em iniciativas ligadas às áreas de Design, Moda, Expressões culturais (Artesanato, patrimônio e gastronomia), Patrimônio e Artes, Música (shows e gravações de CD), Artes Cênicas (formação e produção de espetáculos), Editorial (Edição independente de livros, jornais, revistas, entre outros) e Audiovisual (vídeo, áudio e multimídia, filmagens e produção de vídeos, games).

“Estamos vivendo um momento de sucessivos cortes nas políticas públicas sociais e culturais. O orçamento público da Cultura que sempre foi enxuto está cada vez menor. Neste contexto é fundamental que artistas e produtores culturais criem alternativas para viabilizar seus trabalhos e gerar receita própria”, afirma a coordenadora do projeto, Joana Meniconi.

A designer e gestora cultural com atuação na formação e desenvolvimento de projetos criativos – também coordenadora do ACELERADORA ATIVA -, Andreia Costa, acrescenta que muitos artistas e grupos criativos têm tido bons resultados associando essas novas formas de pensar e fazer a cultura e se tornado referência. “Eles estão em permanente conexão com seus valores culturais e simbólicos e, ao mesmo tempo, atentos à importância de aprenderem mais sobre a utilização e abordagem das novas ferramentas e modos de comunicação”, diz.

DIVINÓPOLIS: VOCAÇÃO EMPREENDEDORA

Principal cidade da região Oeste de Minas Gerais, Divinópolis recebe a primeira edição do programa de aceleração não por acaso. “Divinópolis é uma cidade empreendedora”, explica Andreia Costa. “Quando as atividades das mineradoras entraram em declínio nos anos 1980/90, a cidade se reinventou e fez da indústria de confecção de vestuário e artigos uma de suas principais atividades econômicas. E agora começa a viver uma nova transformação com as mudanças no setor produtivo e de consumo de moda”.

Embora conhecida pelas confecções que seguem uma lógica de produção massiva e seriada, a região preserva práticas e saberes da cultura tradicional que são pouco conhecidos por quem circula na região. Além disso, Divinópolis passou a contar com importantes instituições de ensino técnico e superior que oferecem cursos diretamente relacionados à Economia Criativa.

Outro marco foi a criação, em janeiro deste ano, do Comitê de Economia Criativa Vale do Rio Pará, com reuniões periódicas e adesão de 150 empreendedores. “O objetivo é, sobretudo, conectar empresas, agente econômicos, criativos e sociedade civil para construir um projeto sustentável e de bem comum a todas as cidades do Vale do Rio Pará, sempre com o foco na economia humana, meio ambiente e geração de emprego”, explica um dos coordenadores de ações do comitê, o empreendedor cultural Igor Bastos. Ele acrescenta que para fortalecer a economia local, “se faz urgente e necessário a promoção de capacitações direcionadas aos profissionais e também a abertura ao diálogo sobre ética e a sustentabilidade em nossos modelos de negócios e setores”, afirma.

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