A morte do ator Carlos Cesare, aos 60 anos, reacendeu a memória de uma das figuras mais marcantes do programa “Qual É a Música?”, atração de sucesso do SBT comandada por Silvio Santos. Conhecido popularmente como um dos “Pablos” do programa, Cesare não era, na verdade, seu nome verdadeiro, nem um personagem criado especificamente para ser interpretado por diversos artistas ao longo dos anos. A origem do apelido, que se tornou uma marca do programa, revela uma história mais antiga e inusitada do que se imagina.
Antes de Carlos Cesare, o personagem conhecido como Pablo tinha uma origem distinta, relacionada a um artista espanhol chamado Augusto Rodriguez. Foi com ele que o nome, a maquiagem colorida e as dublagens performáticas conquistaram espaço na televisão brasileira. O sucesso de Augusto na televisão foi tamanho que, mesmo após sua saída, outros artistas que assumiram o mesmo papel continuaram sendo identificados pelo público como “Pablo”. No entanto, a origem do apelido não está relacionada aos bastidores do SBT ou a uma criação de Silvio Santos, mas sim a uma história anterior à estreia de Augusto na atração.
O nome artístico de Augusto Rodriguez surgiu antes mesmo de sua participação no programa. Ele chegou ao Brasil aos 17 anos, vindo da Espanha, e inicialmente trabalhou em bancos, além de participar de concursos de dublagem em casas noturnas na região central de São Paulo. Foi nesse ambiente que recebeu o apelido de “Pablo”, uma homenagem que também tinha referências culturais. Augusto explicou, em entrevista concedida à revista Splash em 2024, que o nome foi inspirado pelo poeta chileno Pablo Neruda e pelo ator espanhol Pablito Calvo, conhecido pelo filme “Marcelino Pão e Vinho”. Segundo ele, o apelido foi dado pelos colegas da noite, que o chamavam assim por afinidade com esses nomes.
A descoberta de Augusto Rodriguez por Gugu Liberato, então produtor na equipe de Silvio Santos, foi fundamental para sua entrada na televisão brasileira. Gugu o recomendou ao SBT após conhecê-lo na noite paulistana. Apesar disso, foi Silvio Santos quem consolidou a identidade do personagem perante o público, reforçando seu nome artístico. Augusto afirmou que, para Silvio, sempre foi “Pablo”, mesmo que na família e entre amigos o nome verdadeiro fosse Augusto. A frase “Pablo, qual é a música?”, repetida por Silvio Santos durante o programa, tornou-se uma marca registrada e ajudou a popularizar o personagem.
Augusto permaneceu no “Qual É a Música?” entre o final dos anos 1970 e a década de 1980, período em que o programa consolidou seu formato e sucesso. A partir de então, o SBT manteve as dublagens e passou a colocar outros artistas na mesma função, que, devido às pinturas no rosto, roupas extravagantes e interpretações semelhantes, passaram a ser conhecidos popularmente como “Pablo”. O primeiro sucessor de Augusto foi Carlos Cesare, convidado por Silvio Santos em 1986, aos 20 anos. Cesare atuou por aproximadamente quatro anos no programa, sendo seguido por outros artistas como Aníbal, Felipeh Campos e Alberto Goya, que também assumiram o papel ao longo dos anos.
Apesar de todos terem desempenhado funções similares, nem todos esses artistas tiveram seus nomes verdadeiros revelados ao público ou utilizados nos bastidores. Felipeh Campos, por exemplo, afirmou à revista Contigo! que Silvio Santos nunca o chamou de Pablo, indicando que a identidade do personagem muitas vezes foi uma construção coletiva e variável ao longo do tempo. Essa história reforça como o nome “Pablo” se tornou um símbolo do programa, transcendente a uma única pessoa e carregando uma história de identidade e cultura popular que remonta às raízes do artista espanhol Augusto Rodriguez.












