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BPC Negado para Criança com Autismo: Saiba como reverter a decisão do INSS

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige acompanhamento médico, terapias e cuidados que costumam gerar um alto custo financeiro para as famílias. Para aquelas em situação de vulnerabilidade social, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) representa a única chance de arcar com o tratamento adequado. No entanto, milhares de mães e pais são surpreendidos mensalmente com a carta de indeferimento do INSS.

Especialistas em direito previdenciário alertam que a negativa não deve ser motivo de desistência. Na maioria das vezes, falhas na documentação ou uma avaliação burocrática rígida da renda familiar negam o benefício.

Principais Motivos de Negativa

Para entender como agir, o primeiro passo é identificar a razão pela qual o INSS recusou o pedido. Os dois motivos mais comuns são:

  • Superação da renda familiar: A lei exige que a renda por pessoa da casa seja de até 1/4 do salário mínimo. O INSS costuma fazer um cálculo puramente matemático, sem considerar os gastos reais da família.
  • Não constatação da deficiência: O perito do INSS pode entender que o grau de autismo da criança não gera o que a lei chama de “impedimento de longo prazo”, ignorando as barreiras sociais e de desenvolvimento.

O que fazer agora ?

Se a instituição negou o seu pedido, você tem dois caminhos principais para contestar a decisão:

1. Entrar com um Recurso Administrativo (No próprio INSS)

Você tem o prazo de 30 dias, a contar da data em que tomou ciência da negativa, para protocolar um recurso no site ou aplicativo Meu INSS.

  • Como funciona: O pedido será reavaliado pela Junta de Recursos da Previdência Social.
  • Prós e contras: O órgão oferece o processo gratuitamente pela internet, mas costuma demorar para analisá-lo. Além disso, a instituição mantém uma alta chance de nova negativa, pois aplica as mesmas regras rígidas.

2. Entrar com uma Ação Judicial (Na Justiça Federal)

Este costuma ser o caminho mais eficaz e com maior índice de reversão do resultado.

  • Como funciona: Um juiz avaliará o caso. Na Justiça, as regras para a concessão do BPC são mais flexíveis do que no INSS.
  • O diferencial da renda: O juiz pode descontar da renda familiar todos os gastos essenciais com a criança que o SUS ou o município não fornecem (como fraldas, remédios, terapias particulares, consultas e alimentação especial). Se após esses descontos a família demonstrar vulnerabilidade, o benefício é liberado.
  • Nova perícia: A criança passará por uma nova perícia médica e uma avaliação social na própria residência, feitas por peritos judiciais (geralmente especialistas), que costumam ter um olhar mais humanizado.