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Trânsito no Estreito de Ormuz aumenta risco de espécies invasoras e pode criar problema ambiental

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O acúmulo de embarcações comerciais no Golfo Pérsico, provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, pode aumentar o risco de disseminação de espécies invasoras pelo planeta. Esse alerta foi feito por uma equipe internacional de cientistas marinhos em um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista Biological Invasions.
Segundo os pesquisadores, mais de 1.500 navios permaneceram ancorados por meses na região após a interrupção da rota marítima, em uma situação considerada sem precedentes. Esse longo período de inatividade pode ter favorecido a fixação de organismos marinhos nos cascos das embarcações que poderão ser transportados involuntariamente para outras partes do mundo quando o tráfego for retomado. Caso essa hipótese seja confirmada, o planeta corre o risco de enfrentar um movimento massivo de desequilíbrio de seus ecossistemas.
Apesar da preocupação, os cientistas destacam que não há evidências de que esse processo já esteja em curso. O estudo tem caráter prospectivo e tem como principal objetivo chamar a atenção para o risco potencial, bem como incentivar o andamento de ações preventivas de monitoramento e controle.
Bioincrustação
O fenômeno no qual os cientistas baseiam sua teoria tem o nome técnico de bioincrustação. Trata-se justamente do acúmulo de organismos marinhos, como algas, cracas, mexilhões e outros invertebrados, na superfície submersa dos navios. Sabe-se, de estudos anteriores, que quanto mais tempo uma embarcação passa parada em um mesmo local, mais espessa e diversa tende a ficar essa camada de vida marinha grudada ao casco.
A partir desse conhecimento já estabelecido, os pesquisadores projetam um risco: quando os navios voltarem a navegar, esses organismos poderiam se desprender ou se reproduzir em portos diferentes daqueles de onde vieram, dando início a colônias de espécies que não pertencem àquele ecossistema. Trata-se, porém, de uma projeção, não de um resultado já verificado em campo.
Os autores do estudo cunharam o termo “evento de superpropagação” para nomear esse risco. Assim como uma doença pode se espalhar rapidamente a partir de um único foco, uma leva enorme de navios potencialmente bioincrustados retomando rotas comerciais ao mesmo tempo poderia, segundo o modelo teórico proposto, multiplicar a disseminação dessas espécies pelo mundo.
“As espécies marinhas invasoras têm impactos ecológicos e econômicos profundos nos litorais de todo o mundo e são extremamente difíceis, senão impossíveis, de erradicar depois de estabelecidas”, observa a bióloga Carolyn Tepolt, coautora do estudo, em comunicado à imprensa.
Problema já conhecido, mas em escala inédita
O impacto do transporte marítimo na disseminação de espécies invasoras não é novidade, esse fenômeno já é reconhecido há décadas como uma das principais portas de entrada para novos ecossistemas. O que muda agora é a sua escala.
A duração da paralisação de navios no Golfo Pérsico e a dimensão dos países afetados é tão sem precedentes na navegação recente que torna o risco hipotético levantado mais significativo do que em situações anteriores. Isso, vale lembrar, mesmo que sua concretização não tenha sido demonstrada.
Para contornar essa situação e minimizar riscos, os autores recomendam que operadores de navios, autoridades portuárias, órgãos reguladores e gestores ambientais adotem medidas como:
Reforçar a gestão da bioincrustação nos cascos das embarcações; Ampliar o monitoramento em portos considerados de alto risco; Aprimorar a previsão sobre a movimentação das embarcações; e Coordenar esforços internacionais para respostas rápidas a eventuais focos de invasão.
Os cientistas acreditam que adotar essas ações antes que a hipótese se confirme é a forma mais segura de evitar possíveis danos ambientais, caso o cenário de superpropagação de fato se concretize.