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Novos estudos revelam detalhes sobre sacrifícios infantis no Império Inca

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Uma nova pesquisa publicada na revista Science Advances, em 15 de julho, trouxe à tona informações surpreendentes sobre as mortes de crianças incas, que até então eram atribuídas a hipotermia durante rituais nas montanhas. O estudo revisitou os casos do menino encontrado em Cerro El Plomo, em 1954, e das meninas de Cerro Esmeralda, descobertas em 1976, revelando que suas mortes estavam ligadas a um contexto de sacrifício ritualístico do Império Inca, conhecido como Capacocha.

Pesquisas forenses e tomografias computadorizadas indicaram que o menino sofreu traumatismo craniano, enquanto as meninas apresentavam sinais de estrangulamento. Os pesquisadores sugerem que esses ferimentos foram infligidos durante rituais de sacrifício, que eram parte de uma prática sistematizada pelos líderes incas, ligando poder político e expansão territorial.

O Capacocha não era apenas um evento isolado, mas um ritual complexo que envolvia a seleção de crianças e jovens mulheres, que eram então submetidas a longas peregrinações por diversas comunidades incas antes de serem sacrificadas nas montanhas sagradas. Verónica Silva-Pinto, da Universidade de Valência, destacou que o ritual começava meses antes do sacrifício e envolvia mudanças na dieta e participação de diferentes comunidades, criando um ambiente de festividade ao longo do caminho.

Além das análises forenses, os pesquisadores realizaram estudos químicos nas amostras de cabelo das crianças, que revelaram informações sobre sua dieta e mobilidade. Os isótopos capilares mostraram que o menino de Cerro El Plomo havia viajado entre 2.600 e 2.800 quilômetros nos últimos nove meses de sua vida, enquanto as meninas de Cerro Esmeralda percorreram entre 900 e 1.200 quilômetros em três meses. Esses dados corroboram a ideia de que o Capacocha era um ritual que simbolizava a passagem das crianças para um reino sagrado.

A pesquisa também sugere que o sacrifício não era visto como um fim absoluto, mas como um meio de estabelecer uma conexão entre as comunidades, as montanhas, as divindades e o Estado. Durante suas jornadas, as crianças eram recebidas com festividades, o que transformava as rotas em paisagens sagradas.

Quanto à idade das crianças, o menino tinha entre oito e nove anos no momento do sacrifício, que ocorreu no século XV. As meninas, por sua vez, tinham nove e 18 anos e foram sacrificadas cerca de 30 anos antes do menino. A datação por radiocarbono e a análise de fraturas ósseas confirmaram que esses sacrifícios não foram eventos isolados, mas parte de uma prática ritual realizada em diferentes períodos.

Contudo, os pesquisadores alertam para a necessidade de cautela em relação a algumas conclusões. As análises isotópicas, embora reveladoras, não permitem uma reconstrução completa das rotas percorridas pelas múmias, pois as variações nos isótopos podem não ser estatisticamente significativas e podem resultar de mudanças esporádicas na alimentação. Além disso, a causa da morte das meninas de Cerro Esmeralda, inicialmente considerada estrangulamento, agora é classificada como indeterminada, uma vez que as marcas em seus pescoços podem ter sido causadas pela pressão de suas vestimentas, e tomografias mostraram que seus ossos hióideos não apresentavam sinais de fratura.