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Novo peixe sem olhos é batizado em referência ao Demogorgon de “Stranger Things”

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Biólogos da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, descobriram uma nova espécie de peixe pálido e sem olhos, que mede menos de 5 centímetros de comprimento e vive em cavernas. Trata-se do peixe-demônio (Demogorgonichthys arcanus), com nome científico que faz alusão ao demogorgon, criatura conhecida por sua aparição no seriado Stranger Things, da Netflix. Um estudo que descreve a nova espécie foi publicado em 6 de julho na revista Scientific Reports.
O peixe pertence a uma espécie inédita e é tão geneticamente distinto que ganhou seu próprio gênero. O animal foi descoberto em fevereiro de 2025, após quase 40 anos de investigações na Caverna Bobcat, no Arsenal de Redstone, em Huntsville, no estado americano do Alabama.
“Já vi muitas coisas que pareciam diferentes antes”, relata em comunicado Jonathan Armbruster, curador de peixes do Museu de História Natural da Universidade de Auburn e professor do Departamento de Ciências Biológicas. “Todas acabaram sendo exatamente iguais. Mas quando olhei para estes [peixes], pensei: ‘Não, estes são diferentes”.
A nomenclatura do novo peixe surgiu de uma conversa entre Armbruster e a coautora da pesquisa, Pamela Hart, da Universidade do Alabama, que mantinha uma lista de figuras subterrâneas e seres mitológicos caso um dia precisasse nomear uma espécie das cavernas.
O curador então sugeriu o nome demogorgon, cujas raízes também estão no poema ético do século 17, Paraíso Perdido, de John Milton. A segunda parte do nome do peixe, arcanus, significa oculto ou secreto.
Um peixe diferenciado
Armbruster examinou a forma física do peixe, baseando-se em décadas de experiência no estudo de peixes-das-cavernas e seus parentes. Ele notou quase de imediato as diferenças: sua coloração pálida, formato de focinho e forma corporal diferenciada em relação aos demais peixes-das-cavernas-do-sul.
“Na maioria das vezes, quando descobrimos novas espécies, encontramos diferenças em organismos cuja existência já conhecíamos”, disse o pesquisador. “Mas este caso foi diferente. Foi uma descoberta inédita, algo realmente raro.”
O peixe também foi submetido a uma tomografia computadorizada, a fim de comparar sua estrutura esquelética com a de peixes-das-cavernas. A análise reforçou as observações de Armbruster, revelando inclusive a ausência de parte do gene da rodopsina, relacionado à sensibilidade à luz.
“O peixe-das-cavernas-do-sul claramente apresenta algum tipo de resposta à luz”, disse Armbruster. “Com este peixe, não observamos isso. Parte do gene da rodopsina está ausente, portanto, não é mais funcional.”
Os pesquisadores não observaram mais do que cerca de 20 exemplares do novo peixe simultaneamente. Isso aconteceu provavelmente porque o peixe-demônio pode passar grande parte de sua vida nas profundezas, fora do alcance de humanos. “Pode ser que estivesse vivendo no fundo do aquífero e só recentemente tenha subido à superfície”, disse Armbruster. “Ou pode ser que já estivesse lá antes, e nós simplesmente nunca o vimos”.