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Morre aos 88 anos João Donato, multi-instrumentista e ícone da MPB

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Reprodução/Redes Sociais

Morreu nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, o pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor João Donato. A informação foi confirmada pela família do músico. Donato tinha problemas no pulmão e coração e estava internado na Casa de Saúde São José, na Zona Sul do Rio, e a causa da morte foi pneumonia.O velório será nessa terça-feira (18/7) no Theatro Municipal do Rio, ainda sem horário confirmado. O corpo será cremado na sequência no Memorial do Carmo.

O compositor vinha com um quadro de sepse havia semanas, tendo sido intubado. “Hoje o céu dos compositores amanheceu mais feliz: João Donato foi para lá tocar suas lindas melodias”, anunciaram as redes sociais dele. “Agora, sua alegria e seus acordes permanecem eternos por todo o universo.”

João Donato tinha 74 anos de carreira. O piano sincopado era único, inconfundível. A sua criatividade e a paixão pela mistura de diferentes gêneros musicais, como jazz, samba, funk e ritmos latinos eram suas marcas. Aos 88 anos, ainda escrevia, fazia shows e gravava discos. Donato não cessou nem durante a pandemia da Covid-19, quando participou do lançamento digital do álbum “Jazz is Dead”, em parceria com músicos de Los Angeles.

Sua história

João Donato de Oliveira Neto nasceu em 1934 em Rio Branco, no Acre. A família era musical: a irmã mais velha, Eneyda, estudava piano. E o irmão caçula, Lysias Ênio, tinha paixão pela poesia e veio a compor a maior parte das letras de composições do artista. O gosto pelas melodias e o ritmo foi demonstrado desde cedo. Na infância, ele costumava brincar de música com flautinhas de bambu e panelas. Depois, recebeu de presente um acordeom de oito baixos e, mais tarde, um instrumento maior.

Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Na cidade, começou a tocar em festas do colégio onde estudava. Em uma delas, conheceu o grupo Namorados da Lua e fez amizade com Lúcio Alves, Nanai e Chicão. Quatro anos depois, já atuava em jam-sessions realizadas na casa de Dick Farney e no Sinatra-Farney Fan Club, do qual era membro.

Iniciou sua carreira profissional em 1949, como integrante do grupo Altamiro Carrilho e Seu Regional. Dois anos depois, começou a estudar piano. Em 1953, formou seu próprio grupo, Donato e Seu Conjunto, e fez parte do grupo Os Namorados. No ano seguinte, formou o Trio Donato. Em 1956, mudou-se para São Paulo, onde atuou como pianista do conjunto Os Copacabanas e na Orquestra de Luís Cesar e gravou o primeiro LP: “Chá dançante”, produzido por Tom Jobim.

Em 1958, voltou para o Rio de Janeiro e passou a dedicar-se ao piano. Em 1959, viajou para o México com Nanai e Elizeth Cardoso. Em seguida, transferiu-se para os Estados Unidos, onde residiu durante três anos. Nesse país, atuou com Carl Tjader, Johnny Martinez, Tito Puente e Mongo Santa Maria. Donato também excursionou com João Gilberto pela Europa. Em 1962, voltou para o Brasil, casado com a atriz norte-americana Patricia del Sasser.

Em 1963, retornou aos Estados Unidos, onde viveu por mais dez anos. Lá gravou o disco mais cultuado de sua longa e exitosa trajetória: “A bad Donato” (1970), listado como um dos melhores da música brasileira. O segundo mais citado é “Quem é quem” (1973). Donato era múltiplo. Como arranjador, destacam-se entre seus trabalhos os CDs “O homem de Aquarius”, de Tom Jobim, e “Minha saudade”, de Lisa Ono, além de discos de Fagner, Gal Costa e Martinho da Vila.