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Estudo revela que princesas do Egito Antigo podem ter sido treinadas para o uso de armas

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Arqueólogos, por muito tempo, acreditaram que as armas encontradas nos túmulos de princesas do Egito Antigo eram meramente simbólicas, representando status ou servindo como objetos de acompanhamento na vida após a morte. Contudo, uma nova pesquisa sugere que esses artefatos poderiam ter sido utilizados durante a vida das nobres egípcias. O estudo, publicado em 17 de julho na revista Frontiers in Environmental Archaeology, analisou os restos mortais de seis membros da realeza do Egito que viveram durante o Império Médio, há aproximadamente 4 mil anos.

Os resultados indicam que algumas princesas apresentavam adaptações ósseas que podem estar relacionadas a atividades fisicamente exigentes, como o uso de arcos, adagas e maças, armas conhecidas na época. As múmias foram inicialmente descobertas na década de 1890 pelo arqueólogo Jacques de Morgan, no complexo funerário de Dahshur, uma necrópole ao sul do Cairo, que abriga algumas das pirâmides mais antigas e bem preservadas do Egito. No entanto, esses restos acabaram esquecidos por mais de um século e foram redescobertos em 2020 durante um projeto de curadoria do Museu Egípcio, conforme relatado pela revista Popular Science.

Entre os indivíduos analisados estavam quatro filhas do faraó Amenemés II: Ita, Khenmet, Itaweret e uma mulher cuja identidade ainda não foi confirmada, mas que os pesquisadores acreditam ser a princesa Sathathormeryt. Também foram examinados os restos da princesa Noub-Hotep e do rei Hor.

Exame das adaptações ósseas

Para chegar às suas conclusões, os cientistas investigaram as áreas onde músculos e ligamentos se fixam aos ossos. Essas regiões podem sofrer alterações ao longo da vida, em resposta a movimentos repetitivos e esforço físico intenso. Nos ossos das princesas, os pesquisadores identificaram marcas consideradas incomuns nos ombros, braços, antebraços e mãos. Em alguns casos, essas alterações estavam diretamente relacionadas aos tipos de armas encontradas em seus túmulos, reforçando a hipótese de que essas mulheres as utilizavam com frequência.

Por exemplo, a princesa Ita foi enterrada com uma adaga ornamentada, e seu braço direito apresentava características musculares que sugerem um controle firme dos dedos e movimentos de rotação do antebraço, possivelmente associados ao uso de armas. Itaweret, por sua vez, mostrava alterações nos ossos do antebraço que indicam movimentos repetidos de tração, semelhantes aos realizados ao disparar um arco, além de lesões cicatrizadas nas costelas e no pé, sugerindo uma rotina fisicamente exigente.

A princesa Noub-Hotep também exibia modificações nos ossos da mão que são compatíveis com o manuseio de um arco, indicando que ela poderia ser uma arqueira habilidosa.

Revisão da interpretação sobre armas em sepultamentos femininos

Por muito tempo, a comunidade egiptológica debateu se as armas encontradas em sepultamentos femininos eram apenas objetos cerimoniais ou votos para a vida após a morte, uma vez que a tradição de ser enterrado com armas era predominantemente associada aos homens. A nova análise, no entanto, propõe uma interpretação diferente.

A arqueóloga Zeinab Hashesh, da Universidade de Beni-Suef, autora principal do estudo, argumenta que as evidências sugerem que essas mulheres estavam envolvidas em atividades como caça e treinamento com armas. Segundo Hashesh, as princesas não levavam vidas sedentárias, mas sim desenvolviam habilidades físicas comparáveis às dos homens da elite egípcia. Em suas palavras, “essas princesas não levavam vidas sedentárias de luxo. Elas eram atletas bem condicionadas, cujos corpos eram fortalecidos pela mesma força e disciplina dos homens de sua época”.

Embora o estudo não afirme categoricamente que essas princesas participaram de guerras, ele abre a possibilidade de que fossem arqueiras treinadas, desafiando a visão tradicional de que as mulheres da realeza ocupavam apenas papéis passivos na sociedade egípcia.

Perspectivas futuras de pesquisa

Os pesquisadores reconhecem que suas conclusões se baseiam na combinação entre as evidências ósseas e os objetos encontrados nos túmulos. Para aprofundar a compreensão sobre a vida dessas figuras da realeza egípcia, a equipe planeja realizar análises de DNA para desvendar melhor os laços de parentesco entre os indivíduos estudados, contribuindo para uma reconstrução mais precisa de sua história e contexto social.