O presidente da Argentina, Javier Milei, utilizou seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada entre os dias 22 e 28 de setembro em Nova York, para criticar duramente a Organização das Nações Unidas (ONU) e reforçar a reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas. Durante sua fala, Milei chamou a ONU de “inútil” e apontou a sua inação diante da disputa de soberania entre a Argentina e o Reino Unido pelas ilhas, localizadas no Atlântico Sul, a aproximadamente 500 quilômetros da costa da Patagônia argentina.
No discurso, Milei criticou a atuação da organização, afirmando que ela se transformou em uma entidade que serve apenas para alimentar uma elite de burocratas arrogantes, disfarçados de bem-intencionados. Segundo ele, a ONU tem falhado em garantir a segurança coletiva e os direitos humanos, permitindo o caos, a violência e o terrorismo internacional. Além disso, o presidente argentino condenou a postura da organização em relação a Israel e os ataques na Faixa de Gaza, acusando a ONU de represálias que, na sua visão, seriam injustificadas ou ineficazes.
Milei também aproveitou o momento para denunciar a atuação da ONU durante a pandemia de COVID-19, ao afirmar que a organização promoveu um “experimento global de controle social disfarçado de ciência”, ao recomendar medidas de quarentena. Sua postura reflete uma visão crítica e de desconfiança em relação às instituições internacionais, especialmente após a decisão de seu governo de retirar a Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No que diz respeito às Ilhas Malvinas, Milei destacou que a disputa de soberania é uma evidência da ineficácia das resoluções da ONU. Ele explicou que, embora a organização tenha aprovado uma resolução sobre o caso, ela não possui mecanismos eficazes para fazer cumprir suas decisões, uma vez que a aceitação ou recusa do país alvo é voluntária. Segundo ele, “as Malvinas não são apenas uma questão entre a Argentina e o Reino Unido, mas também uma questão sobre a capacidade da ONU de fazer valer suas próprias resoluções”. A declaração reforça a posição argentina de que as ilhas são parte integral de seu território, uma reivindicação que remonta ao século XIX.
Durante o discurso, Milei afirmou que a Argentina não permanecerá passiva diante da situação e que adotará providências para resolver a disputa de forma unilateral, sem esperar que a ONU ou a comunidade internacional intervenham de maneira efetiva. “Hoje venho dizer a vocês que a Argentina não vai se sentar e esperar que a ONU e a comunidade internacional estejam à altura de seu próprio mandato. Vamos tomar providências nesse assunto”, declarou.
A disputa pelas Ilhas Malvinas, conhecidas como Falkland Islands pelo Reino Unido, é uma questão de soberania que remonta ao século XIX. O arquipélago foi inicialmente ocupado pelos espanhóis, que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata, do qual a região fazia parte. Após a independência da Argentina, em 1810, o país enviou autoridades para as ilhas nos anos seguintes, nomeando um governador em 1829. No entanto, em 1833, forças britânicas expulsaram as autoridades argentinas e assumiram o controle do território, que permanece sob administração do Reino Unido até hoje. A reivindicação argentina é fundamentada na proximidade geográfica e na ocupação inicial pelos espanhóis, além do fato de a Argentina ter declarado independência e estabelecido sua soberania na região.
A questão das Malvinas ganhou destaque internacional após a Guerra das Malvinas, travada em 1982, quando a Argentina lançou a operação militar conhecida como “Operação Rosário” para retomar o arquipélago. O conflito durou cerca de dois meses e resultou na morte de 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e três moradores da ilha. Desde então, os moradores das Malvinas participaram de um plebiscito em 2013, no qual decidiram manter o status de território ultramarino do Reino Unido.
A disputa também foi tema de manifestações esportivas, como na Copa do Mundo de 2026, quando atletas argentinos exibiram uma faixa com a frase “As Malvinas são Argentinas” após a vitória sobre a Inglaterra nas semifinais.
A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, cujo tema este ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, continuará até o dia 28 de setembro, com lideranças globais apresentando suas posições diante de desafios internacionais complexos. Os principais discursos e eventos serão transmitidos ao vivo, incluindo a cobertura em português pela ONU News.












