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Estudo revela limite biológico para a longevidade humana entre 146 e 194 anos

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Pesquisadores russos desenvolveram um novo modelo matemático que sugere que, mesmo com a eliminação das principais causas do envelhecimento, a expectativa de vida humana ainda estaria restrita a um limite biológico. De acordo com o estudo, publicado na revista npj Aging, a expectativa de vida mediana poderia variar entre 146 e 194 anos, com uma estimativa central de 156 anos. A pesquisa destaca que o fator limitante para essa longevidade está concentrado em dois tipos de tecido: os neurônios, que compõem o cérebro, e os cardiomiócitos, as células musculares do coração.

O estudo é considerado pioneiro por calcular um limite numérico para a longevidade humana com base exclusivamente em mutações somáticas, que são erros que se acumulam no DNA das células ao longo da vida. Essas mutações diferem de outras causas de envelhecimento, pois não podem ser revertidas por tratamentos disponíveis atualmente. Evgeniy Efimov, coautor da pesquisa, afirmou que as células nervosas e as musculares do coração são os principais fatores que impõem esse limite.

Ao longo da vida, o corpo humano acumula diversos danos biológicos relacionados ao envelhecimento, incluindo o desgaste das mitocôndrias e alterações na regulação genética, conhecidas como “deriva epigenética”. Embora esses processos possam, em teoria, ser tratados ou revertidos por terapias médicas, as mutações somáticas não possuem uma solução atual. Elas surgem no DNA de qualquer célula do corpo, exceto nas células reprodutivas, e se acumulam de forma permanente, sem possibilidade de serem transmitidas aos descendentes.

A pesquisa estabelece que as mutações somáticas são a principal razão para o teto final da longevidade humana. Em órgãos que não se regeneram, como o cérebro e o coração, essas mutações não são “diluídas” ou substituídas por células novas, tornando-se danos permanentes. Isso explica por que condições como demência e insuficiência cardíaca são frequentemente associadas à perda de saúde e autonomia na velhice.

Para determinar o limite de 156 anos, os pesquisadores partiram de um cenário hipotético em que um ser humano não envelhece, ou seja, cujo risco de morte não aumenta com a idade. Usando dados de uma pessoa suíça de 30 anos como referência, os cientistas calcularam que, sem os efeitos do envelhecimento, a expectativa de vida mediana poderia chegar a 1.759 anos, enquanto o limite máximo teórico seria de 29.221 anos. Esses números evidenciam a influência significativa do envelhecimento na redução da expectativa de vida humana.

Quando as mutações somáticas foram reintroduzidas no modelo, a expectativa de vida mediana caiu drasticamente para 156 anos, ressaltando a importância desse tipo de dano genético. Em contraste, órgãos com alta capacidade de renovação celular, como o fígado, poderiam suportar milhares de anos de acúmulo de mutações sem perder sua funcionalidade.

Os autores do estudo enfatizam que seus resultados não devem ser interpretados de forma sensacionalista, não afirmando que os humanos viverão até 156 ou 194 anos em breve. O modelo serve como um guia para identificar quais mecanismos do envelhecimento mais impactam a longevidade e onde futuras terapias poderiam ser mais eficazes. A equipe pretende expandir o modelo para incluir outros aspectos do envelhecimento, com o objetivo de desenvolver uma teoria quantitativa mais abrangente.

Além disso, os pesquisadores indicam que terapias celulares focadas na substituição de células nervosas danificadas podem ser uma das poucas alternativas viáveis para ultrapassar a marca dos 150 anos de vida, mesmo considerando o controle de outras causas do envelhecimento.