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Estudo aponta que casos de demência podem dobrar globalmente até 2050

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Dados de um estudo internacional divulgado nesta segunda-feira (12), na revista científica JAMA Neurology, indicam que o número de novos casos de demência no mundo deverá mais que dobrar até o ano de 2050, passando de 11,4 milhões em 2023 para aproximadamente 24,7 milhões anuais. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália, analisou informações de 38.418 participantes provenientes de 22 estudos realizados em 18 países e territórios distribuídos por seis continentes. Os resultados revelam uma incidência maior entre as mulheres e em países de baixa e média renda, reforçando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e assistência às pessoas afetadas pela doença.

A demência é uma síndrome que envolve o comprometimento progressivo das funções cognitivas, como memória, raciocínio, linguagem e capacidade de realizar tarefas cotidianas. Entre as causas mais comuns, destaca-se o Alzheimer, responsável por cerca de 60% dos casos, de acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, e projeções anteriores indicam que esse número pode alcançar aproximadamente 150 milhões até 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional, já que o risco de desenvolver a doença aumenta com a idade.

A distinção entre incidência e prevalência é fundamental para compreender as projeções. A incidência refere-se ao número de novos casos em um determinado período, enquanto a prevalência indica o total de pessoas que vivem com a condição em um dado momento. O aumento previsto na incidência de novos casos é uma consequência direta do envelhecimento global, que eleva a probabilidade de indivíduos desenvolverem a doença ao longo da vida.

Segundo Ashleigh Vella, autora principal do estudo e pesquisadora de pós-doutorado na UNSW, a pesquisa permitiu, pela primeira vez, comparar a incidência de demência em populações diversas utilizando uma metodologia estatística uniforme. Essa abordagem oferece uma visão mais clara de onde e entre quais grupos os novos casos estão ocorrendo, destacando a importância de estratégias específicas para populações mais vulneráveis. Entre os fatores de risco, o estudo revelou uma maior incidência entre as mulheres, com uma taxa estimada de 10,6 novos casos por mil pessoas-ano, em comparação com 8,6 entre os homens. Apesar de os números indicarem maior ocorrência entre as mulheres, ainda não há entendimento completo sobre as razões dessa diferença, sendo necessárias novas pesquisas para explorar possíveis fatores biológicos, sociais, econômicos, educacionais ou ambientais.

Além do aspecto de gênero, o estudo evidencia que países de baixa e média renda apresentam uma incidência padronizada de 13,6 novos casos por mil pessoas-ano, enquanto nações de alta renda esse índice é de 8,3. Entre os 20 países analisados, estão seis de baixa ou média renda, como Brasil, Cuba e China, e 12 de alta renda, incluindo Alemanha, Coreia do Sul e Estados Unidos. Os pesquisadores utilizaram critérios clínicos padronizados para identificar os casos de demência, garantindo comparabilidade entre as diferentes populações estudadas. Perminder Sachdev, autor principal do estudo, destaca que a maior incidência em países de baixa e média renda é preocupante, pois essas regiões enfrentam um envelhecimento populacional acelerado e, muitas vezes, dispõem de recursos limitados para prevenção, diagnóstico e tratamento.

Embora o estudo não permita determinar as causas exatas das diferenças observadas, os autores ressaltam que fatores biológicos, sociais e ambientais podem estar envolvidos. A pesquisa busca preencher uma lacuna na literatura científica, uma vez que grande parte dos estudos sobre demência concentra-se em países de alta renda, enquanto regiões menos favorecidas possuem menos dados de acompanhamento de longo prazo.

Henry Brodaty, coautor do estudo, alerta que 24 milhões de novos casos anuais representam uma pressão significativa sobre indivíduos, famílias, sistemas de saúde e economias globais. Ele defende uma abordagem abrangente, que inclua a redução de fatores de risco modificáveis, a identificação precoce de indivíduos em risco, além de melhorias no diagnóstico, tratamento e cuidados. O aumento no número de casos de demência é um desafio global que exige ações coordenadas e estratégias específicas para diferentes contextos socioeconômicos, a fim de mitigar os impactos dessa condição que deve, inevitavelmente, afetar uma parcela crescente da população mundial nas próximas décadas.