Arqueólogos na China fizeram uma descoberta significativa ao encontrar dois tabuleiros do antigo jogo Liubo, datados de cerca de 2 mil anos, em tumbas da Dinastia Han. As peças, esculpidas em tijolos comuns, foram localizadas em um cemitério no noroeste do país e despertaram o interesse dos pesquisadores, uma vez que a maioria dos tabuleiros conhecidos desse jogo era confeccionada em materiais mais nobres, como madeira laqueada ou pedra. A revelação foi anunciada em 17 de julho pelo Instituto Provincial de Arqueologia de Shaanxi e oferece uma nova perspectiva sobre a vida cotidiana e as formas de entretenimento na antiga China.
As escavações que levaram à descoberta ocorreram em 2022, na área do campus Chang’an da Universidade Normal de Shaanxi, em Xi’an, capital da província de Shaanxi. As escavações foram iniciadas antes da construção de novos dormitórios, mas revelaram um sítio arqueológico muito mais rico do que o inicialmente esperado. No total, foram identificadas 25 tumbas e dois depósitos de cinzas, sendo que dez sepultamentos pertenciam à Dinastia Han e estavam em excelente estado de conservação, preservados de saques e alterações ao longo dos séculos. Entre os itens recuperados estavam vasos de cerâmica, espelhos de bronze, ferramentas de ferro, moedas e miniaturas de celeiros, poços e fogões.
Os tabuleiros de Liubo, no entanto, se destacaram entre os artefatos encontrados. Um deles foi esculpido em um tijolo liso, enquanto o outro utilizou um tijolo com um padrão geométrico decorativo. Apesar da simplicidade dos materiais, ambos apresentam o desenho característico do jogo. A raridade dessa descoberta se deve ao fato de que a maioria dos tabuleiros conhecidos é feita de materiais mais sofisticados. Especialistas acreditam que esses tabuleiros podem ser versões simplificadas dos equipamentos utilizados na vida cotidiana dos chineses da época. Contudo, persiste a dúvida sobre se os tijolos foram feitos exclusivamente para serem colocados nas tumbas.
O Liubo, que significa “seis varetas” ou “seis bastões”, era um jogo popular na China antiga, jogado por duas pessoas em um tabuleiro quadrado com um padrão simétrico. Evidências arqueológicas sugerem que cada jogador controlava seis peças, e seus movimentos eram determinados pelo lançamento de varetas ou dados, com fichas adicionais para marcar a pontuação. Embora as regras do jogo tenham se perdido ao longo do tempo, registros históricos indicam que o Liubo era amplamente praticado durante a Dinastia Han, tanto pelas elites quanto pela população em geral. Esculturas funerárias e estatuetas da época frequentemente retratam jogadores em torno de tabuleiros, sugerindo que o jogo era uma parte importante da vida social.
Além disso, alguns estudiosos especulam que o Liubo pode ter influenciado o desenvolvimento do Xiangqi, o xadrez chinês, embora ainda não haja evidências concretas que confirmem essa teoria.
Os tabuleiros recém-descobertos diferem significativamente de outros conjuntos de Liubo encontrados na China, como o famoso exemplo da tumba de Mawangdui, onde foram recuperados tabuleiros luxuosos feitos de marfim, além de varetas e dados. Em Xi’an, a escolha de tijolos como material sugere que, se esses tabuleiros foram realmente feitos apenas para o sepultamento, o valor simbólico do jogo pode ter sido mais importante do que a ostentação dos objetos.
As escavações também revelaram mudanças nos costumes funerários da Dinastia Han ao longo de dois séculos. As diferenças na arquitetura das tumbas, nas moedas e na cerâmica permitem que os pesquisadores acompanhem a evolução dessas tradições entre os séculos I a.C. e II d.C. Em uma das tumbas, identificada como M18, os arqueólogos encontraram dois caixões de madeira na mesma estrutura, indicando que algumas sepulturas eram reutilizadas e modificadas com o tempo.












