Pular para o conteúdo

Videomonitoramento vira novo campo de disputa entre Câmara e Prefeitura de Divinópolis

Image

O videomonitoramento em Divinópolis acabou se transformando em mais um capítulo da disputa política entre Legislativo e Executivo. De um lado, a Prefeitura anunciou o lançamento de um amplo projeto para implantação de um sistema inteligente de monitoramento urbano, com estudos já contratados e planejamento em andamento. Do outro, a Câmara possui um projeto autorizativo que prevê a instalação de câmeras nas entradas, saídas e entorno das escolas municipais.

A coincidência política chama atenção. Um dos autores do projeto da Câmara é o vereador Wesley Jarbas. Ele que recentemente se posicionou de forma contrária à reforma da previdência municipal. Episódio este que elevou a temperatura nas relações entre parte dos vereadores e a administração da prefeita Janete Aparecida.

Embora o projeto do Legislativo tenha sido protocolado antes do anúncio oficial da Prefeitura. A proposta sequer chegou a ser votada. Houve a apresentação do plano municipal de videomonitoramento. Assim o líder do governo na Câmara, vereador Ney Burguer, articulou o sobrestamento da matéria por 60 dias, argumentando que o Executivo já desenvolve uma iniciativa mais ampla, que contempla não apenas escolas, mas também unidades de saúde, equipamentos de assistência social e outros espaços públicos.

Sobrestamento

O movimento teve um desfecho curioso. Mesmo sendo um dos autores da proposta, Wesley Jarbas votou favoravelmente ao pedido de sobrestamento. Na prática, a decisão evita um confronto imediato entre os dois projetos e abre espaço para que os vereadores acompanhem o avanço do modelo apresentado pela Prefeitura antes de decidir sobre a continuidade da tramitação da proposta legislativa.

Dessa forma, Ney Burguer atuou para reduzir o desgaste político e evitar um confronto direto entre as duas propostas. Curiosamente, o próprio Wesley Jarbas votou a favor do sobrestamento, mesmo sendo um dos autores do projeto. Assim, a decisão abriu espaço para que os vereadores acompanhem o avanço do modelo apresentado pela Prefeitura antes de decidir sobre a continuidade da tramitação da matéria.

Além disso, o episódio vai além de uma simples discussão sobre câmeras de segurança. Na prática, ele evidencia como propostas com objetivos semelhantes podem assumir contornos políticos em momentos de maior tensão entre Câmara e Prefeitura. Agora, os próximos 60 dias devem indicar se os dois lados buscarão convergência ou se o videomonitoramento continuará alimentando mais um capítulo da disputa entre Executivo e Legislativo.