Durante o primeiro debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado pela Rede Bandeirantes na noite de domingo (16), o governador e candidato à reeleição pelo PSD, Mateus Simões, fez uma acusação direta contra o ex-prefeito de Belo Horizonte e também candidato pelo PDT, Alexandre Kalil. Simões afirmou que Kalil teria utilizado dinheiro público para fretar aviões, destinando esses recursos para ele e seus amigos viajarem. Em resposta, Kalil rebateu as acusações e classificou as alegações de Simões como “pai da mentira”.
A troca de acusações ocorreu em um momento de forte confronto entre os candidatos, com Kalil questionando a postura de Simões em relação a alegações de corrupção. Kalil afirmou que, ao falar em corrupção, Simões parece esquecer de episódios envolvendo seu próprio governo e criticou a gestão do atual governador, pedindo que ele explique supostos casos de irregularidades. “Mateus, está meio surreal, parece que somos nós cinco do governo. Quando fala em corrupção você passou batido. Não vou falar do parasita, vou falar do ex-governador, que enche a boca para falar que não teve corrupção. Explica aí”, provocou Kalil.
Simões respondeu ressaltando que todos os envolvidos em casos de corrupção no governo de Minas foram afastados, e afirmou que seu governo desde 2019 possui uma política de investigação e punição rápida para desvios de conduta. Ele destacou que, em ações relacionadas às vacinas contra a Covid-19 e na operação Rejeito, pessoas envolvidas em irregularidades foram imediatamente afastadas, mesmo sem prisões ou buscas. Segundo o governador, essa postura demonstra o compromisso do seu governo com a ética, embora reconheça que, por ser uma administração com mais de 450 mil servidores, há desvios que precisam ser combatidos e que esses também são tratados com rigor.
A principal acusação de Simões contra Kalil refere-se ao uso de recursos públicos para fretamento de aviões. O governador afirmou que Kalil foi condenado em parte desses processos, que envolvem o uso de aeronaves para viagens pessoais, incluindo deslocamentos para Brasília. Simões alegou que Kalil teria utilizado dinheiro do município de Belo Horizonte para esses fins, além de mencionar episódios de nepotismo, ao afirmar que o ex-prefeito empregou sua namorada e a família dela na prefeitura.
Kalil negou veementemente as acusações, classificando-as como “absurdas” e “pura mentira”. Ele afirmou que nunca respondeu a processos de corrupção e que, inclusive, foi absolvido recentemente de uma denúncia relacionada a um processo de uso de avião para fins pessoais. Kalil explicou que o episódio envolvendo um avião para Brasília refere-se a um processo contra um funcionário seu, um veterinário, que, segundo ele, foi vítima de uma ação judicial por um relacionamento pessoal de anos atrás. O ex-prefeito também afirmou que, ao contrário do que foi alegado por Simões, ele nunca utilizou aeronaves particulares para viagens de trabalho ou pessoais, alegando que sua rotina inclui, no máximo, um voo anual para Foz do Iguaçu, e que nunca viajou de avião particular para Brasília.
A troca de acusações evidencia o clima de forte disputa eleitoral entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, com temas envolvendo ética, gestão pública e denúncias de irregularidades sendo centrais no debate. Ambos os candidatos reforçam suas posições, enquanto tentam desqualificar as alegações feitas pelo adversário, numa disputa marcada por acusações mútuas que refletem o nível do confronto político na corrida pelo executivo estadual.












