
As propostas para a educação nas eleições de 2026 apresentam diferenças significativas entre os projetos políticos. Os planos analisados tratam de alfabetização, ensino integral, formação profissional, valorização dos professores, universidades, cotas, tecnologia, disciplina escolar e participação da iniciativa privada.
Enquanto o projeto ligado ao governo Lula aposta na continuidade e ampliação de programas federais, propostas de direita defendem maior cobrança por resultados, mudanças na alfabetização, vouchers e novas regras para a gestão das escolas. Outros candidatos priorizam empreendedorismo, inteligência artificial e desenvolvimento socioemocional.
Na outra ponta, PCB, PSTU, Unidade Popular e PCO defendem uma ampliação da educação pública, aumento dos investimentos e mudanças estruturais no modelo de financiamento e gestão das instituições de ensino.
O que está previsto no projeto ligado a Lula?
O projeto ligado ao governo Lula prevê a continuidade de programas educacionais já implantados e a ampliação da oferta de ensino em tempo integral. A alfabetização aparece entre as prioridades, com a manutenção do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e a meta de ampliar o número de crianças alfabetizadas na idade certa.
O plano também prevê acelerar a expansão das escolas de tempo integral a partir de 2026, utilizando mecanismos de financiamento integrados ao Fundeb. A proposta pretende ampliar a permanência dos estudantes na escola e aumentar a oferta de atividades durante o dia.
Outra frente é o fortalecimento do Pé-de-Meia, programa destinado a estimular a permanência dos estudantes no ensino médio público. A iniciativa busca reduzir a evasão e aumentar as taxas de conclusão dessa etapa da educação básica.
No ensino técnico e profissionalizante, a proposta prevê a expansão da Rede Federal, com a criação de mais de 100 novos Institutos Federais. O plano também inclui o Partiu IF, programa de preparação de estudantes do 9º ano interessados em ingressar nos Institutos Federais.
Para os professores, aparecem programas como o Pé-de-Meia Licenciatura e o Bolsa Mais Professores, voltados à formação, atração e permanência de profissionais na carreira docente.
Na educação superior, o projeto prevê novos campi universitários e iniciativas como a implantação do ITA no Ceará, a Universidade do Esporte e a Universidade Indígena. A área digital também aparece entre as prioridades, com a proposta de universalizar a internet nas escolas e criar uma Política Nacional de Letramento Digital.
Quais mudanças são defendidas pelas propostas de direita?
Os projetos identificados com a direita apresentam propostas concentradas em disciplina, avaliação de desempenho, meritocracia e gestão por resultados. Também aparecem mecanismos de escolha das famílias e maior participação de instituições privadas na oferta educacional.
Flávio Bolsonaro e o Partido Missão defendem mudanças no processo de alfabetização, com adoção obrigatória do método fônico. Os dois projetos também propõem alterações na progressão continuada, buscando evitar que estudantes avancem de etapa sem domínio considerado adequado dos conteúdos.
Na área disciplinar, Flávio Bolsonaro propõe a expansão das escolas cívico-militares. O Partido Missão defende que a União tenha competência para determinar esse modelo em escolas consideradas críticas e propõe um código nacional de conduta disciplinar.
O Partido Missão também apresenta a criação de um ranking de disciplina escolar. Pela proposta, indicadores de comportamento poderiam influenciar a distribuição de recursos do Fundeb, criando mecanismos de incentivo financeiro para escolas com melhores resultados disciplinares.
Como funcionaria o voucher para estudantes?
Flávio Bolsonaro e Romeu Zema defendem a utilização de vouchers educacionais quando a rede pública não conseguir oferecer vagas. O mecanismo permitiria que famílias utilizassem recursos públicos para matricular os filhos em escolas privadas credenciadas.
A proposta altera a forma tradicional de utilização dos recursos. Em vez de direcionar todo o investimento para a expansão da rede pública, parte do dinheiro acompanharia o estudante e poderia ser utilizado em uma instituição privada habilitada.
Romeu Zema também defende a regulamentação do homeschooling, modelo de educação domiciliar. Para o ensino superior, o projeto propõe retirar essa área do Ministério da Educação e transferir sua governança para o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Flávio Bolsonaro também propõe modificar o financiamento estudantil. O modelo de Empréstimo Contingente à Renda prevê que o estudante comece a pagar o financiamento somente após conseguir emprego, com parcelas proporcionais ao salário.
Zema defende ainda mudanças no processo de escolha dos reitores das universidades federais, com substituição das eleições internas por critérios considerados técnicos.
O que Augusto Cury e Pablo Marçal propõem?
As propostas de Augusto Cury e Pablo Marçal concentram parte importante das mudanças em empreendedorismo, tecnologia e novas competências para os estudantes.
Cury propõe a criação de uma rede nacional com 10 mil Escolas de Empreendedorismo e Clubes de Empreendedorismo para atividades no contraturno escolar. A proposta também prevê a inclusão da gestão das emoções no currículo.
O projeto utiliza ainda a metodologia SOFT, ou School of Thinkers, que pretende ampliar a participação dos alunos e modificar a atuação tradicional do professor em sala de aula.
Outro ponto é o chamado Brasil Neuroinclusivo, com Planos de Inclusão Individualizados para estudantes neurodivergentes. A proposta prevê adaptações de materiais, avaliações e estratégias pedagógicas.
Pablo Marçal apresenta propostas voltadas principalmente à tecnologia. O programa Alphabyte prevê ensino de computação e inteligência artificial nas escolas públicas.
O plano também propõe uma Universidade Federal Digital, com cursos de graduação tecnológica oferecidos pela internet e direcionados à formação profissional e ao empreendedorismo.
O que defendem PCB, PSTU, UP e PCO?
Os partidos de esquerda radical apresentam propostas de maior participação do Estado na educação. PCB, PSTU e Unidade Popular defendem a expansão do ensino público e a redução da participação de empresas privadas no setor.
Os programas incluem a estatização de grandes conglomerados educacionais privados e a retirada de recursos públicos de mecanismos como Prouni, Fies e determinadas parcerias com instituições privadas.
A defesa desses partidos é de um sistema público e gratuito da educação infantil à pós-graduação. Outra proposta é o fim dos vestibulares e a adoção do ingresso livre nas universidades federais.
Para colocar esse modelo em prática, os programas defendem uma expansão significativa da estrutura pública de ensino e dos investimentos federais.
Os partidos também propõem revogar medidas consideradas neoliberais na educação, incluindo mudanças na Base Nacional Comum Curricular e no Novo Ensino Médio.
Na política de cotas, PCB e PSTU defendem ampliação das reservas de vagas para determinados grupos sociais. Também aparecem propostas de universalização das cotas para pessoas trans.
A Unidade Popular estabelece como meta um investimento mínimo de 10% do Produto Interno Bruto na educação pública. PSTU e PCO defendem ainda maior participação de estudantes, professores e funcionários na administração das instituições.
O PCO propõe piso salarial de pelo menos R$ 8.500 para professores e jornada máxima de 30 horas semanais.
Quais são as principais diferenças entre os projetos?
Os programas apresentam diferenças principalmente em relação ao papel do Estado, ao financiamento e à forma de gestão das escolas e universidades.
O projeto ligado ao governo Lula prioriza a ampliação de programas públicos, ensino integral, alfabetização, permanência escolar e expansão da Rede Federal.
As propostas de direita defendem maior cobrança por resultados, disciplina, mudanças no modelo de alfabetização, vouchers e participação da iniciativa privada em determinadas situações.
Augusto Cury e Pablo Marçal concentram suas propostas em empreendedorismo, desenvolvimento emocional, inclusão, computação e inteligência artificial.
Já PCB, PSTU, UP e PCO defendem a ampliação da rede pública, maior investimento estatal, mudanças no sistema de acesso às universidades e redução da participação privada.
O que muda para estudantes, famílias e professores?
As diferenças entre os programas podem produzir efeitos distintos para estudantes, famílias e profissionais da educação. A escolha de um modelo baseado em vouchers, por exemplo, muda a relação entre financiamento público e rede privada.
Já a expansão do ensino integral exige mais estrutura física, profissionais e recursos para manter os estudantes durante mais horas nas escolas. A ampliação dos Institutos Federais, por sua vez, interfere diretamente na oferta de formação técnica e profissional.
As propostas para as universidades também apresentam diferenças importantes. Enquanto alguns projetos defendem a expansão da rede federal, outros propõem mudanças na administração das instituições, no financiamento estudantil ou no próprio sistema de acesso.
Na prática, a comparação precisa considerar não apenas as metas apresentadas pelos candidatos, mas também o custo das medidas, a fonte dos recursos e a responsabilidade de cada nível de governo na execução.
Por que a educação deve estar no centro do debate eleitoral?
A educação envolve desafios que afetam diretamente famílias de todo o país, desde a alfabetização das crianças até o acesso ao ensino técnico e universitário.
Os programas para 2026 mostram que os candidatos partem de diagnósticos diferentes e apresentam soluções igualmente distintas. As propostas vão desde a ampliação de políticas públicas existentes até mudanças profundas na relação entre Estado, escolas privadas e universidades.
Para o eleitor, a melhor forma de comparar os projetos é observar as metas, os prazos, os recursos previstos e os mecanismos de fiscalização. Também é importante verificar quais propostas dependem de mudanças legislativas ou constitucionais para serem implementadas.
Por fim, com a campanha eleitoral avançando, o tema deve ganhar espaço nos debates e nas discussões entre candidatos. Portanto acompanhar os programas completos e comparar as medidas pode ajudar o eleitor a entender como cada projeto pretende mudar a educação brasileira.















