O assassinato da motorista de aplicativo Sheilla Angelis de Almeida, de 36 anos, completa um ano nesta segunda-feira (9). O caso, que repercutiu em Divinópolis e em Minas Gerais pela brutalidade, teve um desfecho na Justiça: duas pessoas envolvidas no homicídio foram condenadas.
Rafael Monteiro de Sena foi sentenciado a 23 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado pelos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver. Ele estava no sistema prisional desde outubro de 2023, quando foi detido em Botafogo, no Rio de Janeiro. No mês seguinte, ele foi encaminhado para o Presídio Floramar, em Divinópolis, onde segue no regime fechado.
Já a namorada de Rafael, Letícia Joice de Oliveira, foi condenada por um ano de reclusão em regime aberto por ocultação de cadáver. A pena foi convertida em multa e serviços comunitários. Ambas as decisões foram proferidas pela 2ª Vara Criminal de Divinópolis, em documentos que o Portal MPA teve acesso.
Relembre o crime contra motorista de aplicativo em Divinópolis
Sheilla Angelis de Almeida aceitou uma corrida no dia 9 de setembro de 2023, por volta das 18h, após sair do bairro Campina Verde. Rafael teria pedido uma viagem da Praça do Santuário, no Centro da cidade, até o bairro Elizabeth Nogueira, com um celular de um adolescente. O crime foi premeditado, uma vez que Rafael já teria feito uma corrida no mesmo dia, sendo reconhecido pela própria motorista.
Chegando no local, o autor do crime teria anunciado o assalto e então a asfixiou por duas vezes. Minutos depois, a vítima tentou reagir, mas foi golpeada com pedaços de telha na cabeça, amarrada, estrangulada e esfaqueada no porta-malas de seu carro.
Logo em seguida, Rafael buscou a companheira Letícia e ambos fugiram para o Rio de Janeiro. No caminho, o casal ocultou o corpo de Sheilla na zona rural de Itapecerica. Familiares apontaram compras com o cartão da motorista em São João Del-Rei e na capital fluminense, além do veículo ser flagrado em praças de pedágio da BR-040.
Corpo encontrado
No dia 27 de setembro, um morador da comunidade de Trindade, em Itapecerica, encontrou um corpo em estado de decomposição próximo a uma estrada vicinal. Familiares reconheceram os sapatos da mulher.
Após exames no IML de Belo Horizonte, foi confirmado que o corpo era de Sheilla. Ela foi velada e sepultada em 5 de outubro, em Carmo do Cajuru, com manifestações pedindo justiça.
Prisão do casal no Rio de Janeiro
O carro da vítima foi encontrado no dia 1º de outubro, no Rio de Janeiro. Inicialmente, a denúncia seria de maus tratos a animais.
Um morador do bairro de Botafogo percebeu que havia alguns gatos no porta-malas de um veículo Fiat Argo Branco abandonado e acionou à PM. Assim que os agentes chegaram no local, viram o casal suspeito próximo ao automóvel e o abordou logo em seguida, efetuando a prisão em flagrante.
Imediatamente, a Polícia Civil de Minas Gerais foi acionada para dar apoio. Segundo a PCMG, os suspeitos haviam sido identificados logo após o desaparecimento.
No dia seguinte, o casal passou por uma audiência de custódia em Benfica, no Rio de Janeiro. No dia 25 de outubro, Letícia foi solta após a Justiça entender que não houve envolvimento direto no crime. Uma semana depois, Rafael foi transferido para o Presídio Floramar.
Em novembro, a redação conversou com o advogado de Letícia, reforçando a não participação no assassinato e que ela estaria grávida.
Dívida com agiotas?
Após a prisão, Rafael teria dito à Polícia Civil em audiência de custódia que confessou que matou a motorista e disse ter agido a mando de um terceiro, que seria um suposto agiota. O criminoso apontou os dados do suposto agiota que cobrava R$ 8.500,00, mas não apresentou nenhuma documentação ou conversa entre eles.
A Polícia não encontrou ligações de Rafael com essa terceira pessoa após o crime, o que seria uma forma de ‘confirmar’ o acordo firmado.
Desta forma, a Justiça não aceitou esta versão, que foi tratada como contraditória, assim como a tese de que Letícia estaria sendo ameaçada por Rafael após o crime. Conversas no inquérito policial mostram que ela ficou no Rio de Janeiro junto com o namorado por livre e espontânea vontade.
Após o julgamento
Atualmente, o homem condenado segue no Presídio Floramar, em Divinópolis, cumprindo pena em regime fechado. Já Letícia mora em Santo Antônio do Monte. A reportagem tentou entrar em contato com ela, mas não houve respostas.
A defesa da psicóloga recorreu da sentença proferida pela Comarca de Divinópolis, que agora será analisada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
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