A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta quinta-feira (18) US$ 49 mil em espécie, cerca de R$ 253 mil na cotação atual, em um quarto do hotel Brasília Palace, local onde o senador Jaques Wagner (PT-BA) costuma se hospedar quando está na capital federal. Além do dinheiro encontrado em Brasília, os agentes também apreenderam 33,5 mil euros e US$ 6.175 na residência do parlamentar em Salvador, na Bahia.
A ação faz parte da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes relacionadas ao Banco Master. O líder do governo Lula no Senado é um dos principais alvos da operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Além dos valores em moeda estrangeira, os policiais encontraram uma coleção de relógios durante o cumprimento dos mandados. O hotel onde ocorreu uma das buscas fica próximo ao Palácio do Planalto.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, Jaques Wagner teria sido o “beneficiário central” de vantagens econômicas supostamente concedidas por integrantes do Banco Master em troca de atuação política favorável à instituição financeira no Congresso Nacional.
Entre os benefícios apontados pela investigação estão o pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, utilização de aeronaves particulares e ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, que teriam custado R$ 63,3 mil.
O senador sempre negou qualquer participação nas irregularidades investigadas e já havia se manifestado anteriormente contra o que chamou de “falcatruas” envolvendo o Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, foram identificados indícios de recebimento de vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas próximas e empresas ligadas ao grupo econômico investigado.
A investigação também aponta possíveis atuações do parlamentar em pautas de interesse do Banco Master. Entre elas estão discussões relacionadas ao crédito consignado, ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas parlamentares voltadas à fiscalização da operação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os investigadores concentram suspeitas em três episódios específicos. Um deles envolve a apresentação de uma emenda a uma Medida Provisória de 2022 que ampliava a margem consignável para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social, além de permitir empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e programas sociais federais.
Outro ponto investigado é a atuação em favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, que teria impacto sobre os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
As investigações seguem em andamento e a Polícia Federal ainda apura a extensão da suposta influência exercida em benefício da instituição financeira.














