Mercado de cerveja artesanal se prepara para queda nas vendas depois do episódio na Backer

Postado em 14/01/2020 11:30

Devido ao episódio envolvendo a cervejaria mineira Backer a Associação Brasileira de Cervejas Artesanais já se prepara para uma queda nas vendas. O presidente da Abracerva, Carlo Lapolli, emitiu nesta segunda-feira, 13 uma nota técnica às cervejarias associadas. No documento a entidade traz algumas orientações de prevenção a incidentes, como a contaminação indireta de cervejas.

No documento a Abracerva também solicita à Anvisa a proibição cautelar do uso de Etileno Glicol em fábricas de cerveja. A medida sugere a edição da norma dedicada ao setor. Embora não seja usual na produção de cerveja, o material pode ter causado intoxicação dos consumidores em Minas Gerais. Veja a nota na íntegra:

Prezados Associados,

Em razão dos recentes fatos noticiados na mídia nacional dando conta na intoxicação de 10 pessoas, inclusive levando uma destas a óbito em razão de presença de Etileno Glicol e Dietileno Glicol em amostras de cervejas da Cerveja Backer de Minas Gerais, a Abracerva vem informar o seguinte:

Desde o início das ocorrências a Associação tem acompanhado a situação buscando, sobretudo, entender o que ocorreu no processo de fabricação que lamentavelmente levou uma pessoa a óbito e outras a internação hospitalar.

Até o presente momento, ainda que não haja uma confirmação definitiva das causas da morte e da síndrome nefroneural, há fundadas suspeitas de que houve a intoxicação dos consumidores por etileno glicol.

A Abracerva aguarda a investigação dos órgãos competentes para o esclarecimento da causa ou causas que levaram a esta contaminação, sobretudo para evitar que tal evento, inédito na indústria cervejeira, volte a se repetir. A associação, inclusive, entende que a responsabilização civil e criminal deve ser feita com zelo e sem açodamentos, respeitando-se os procedimentos legais.

Com relação aos aspectos técnicos envolvidos a Abracerva está solicitando ao MAPA e ANVISA que elaborem norma específica para a utilização de agentes anticongelantes no sistema de resfriamento de cerveja com a permissão de apenas substâncias de grau alimentício em virtude da possibilidade incidental de contato com a cerveja nas etapas de fabricação.

Lembramos que a legislação é clara quanto a responsabilidade do fabricante em garantir a segurança dos processos produtivos e do produto final, ainda que a legislação sanitária apresente um vácuo quanto aos produtos possíveis de utilização como anticongelantes em sistemas de troca de calor (tanques e trocadores de placas) no processo cervejeiro.

Entrementes, a ABRACERVA faz as seguintes recomendações aos seus associados:

Seguimos acompanhando o caso na certeza de que a cerveja artesanal brasileira possui qualidade de produção de nível mundial, contando com profissionais cientes de suas responsabilidades e inteiramente comprometidos com o melhor produto para o consumidor.

Por fim, solidarizamo-nos novamente com as vítimas do incidente, com a certeza de que as causas e responsabilidades serão integralmente esclarecidas e apuradas.

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