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Ricardo Eletro, fecha todas as lojas, inclusive as de Divinópolis e pede recuperação judicial

Postado em 08/08/2020 7:38

Ricardo Eletro

A Máquina de Vendas, controladora da varejista Ricardo Eletro, entrou com pedido de recuperação judicial nesta sexta-feira (7). 

O tamanho do rombo registrado no pedido é de 4,01 bilhões de reais. Funcionários da empresa enfrentavam nas últimas semanas um clima de apreensão. O medo se explica: junto ao pedido de recuperação, a …

O pedido foi protocolado na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Além da varejista, a empresa é dona da Insinuante, Salfer, City Lar e EletroShopping.

A situação da Ricardo Eletro já não estava fácil. Com o fechamento de todas as lojas com a pandemia, a empresa chegou a perder mais de 92% do faturamento.

Nota da empresa:

“É sabido, por parte de todos os colabores, credores e fornecedores, o esforço que vinha sendo feito pela empresa para superar as crises anteriores. Havia um processo de retomada em curso, mesmo com a estrutura de capital ainda fragilizada, que foi interrompido por conta da pandemia de Covid-19. A Máquina de Vendas entende que está no caminho certo e vê a recuperação judicial como um momento transitório na jornada de reconstrução do seu negócio. Nesse contexto, a alternativa da recuperação judicial mostra-se o caminho mais viável para que a empresa siga com suas operações normalmente e promova a reorganização administrativa e financeira necessária para superar a situação momentânea de crise e ajustar-se estruturalmente para a nova realidade com varejo, no pós-pandemia”, diz a nota.

Com o pedido, todas as 320 unidades físicas da rede espalhadas por 17 estados estão fechando as portas. Na realidade, 313 já não darão mais expediente.

As sete unidades restantes serão desligadas nos próximos dez dias.

A aposta é o crescimento dos canais digitais, que, segundo a empresa, tiveram crescimento no período de 50 mil para 350 mil visitas diárias.

Neste cenário, cada funcionário concentrará seus argumentos de vendas por meio de canais como o WhatsApp. “Estamos estudando um modelo que vai transformar o nosso vendedor em um parceiro de negócios, de forma que ele ganhe uma comissão maior e que a empresa não tenha mais que arcar com o custo fixo das lojas e dos funcionários. Vamos oferecer essa oportunidade para os melhores vendedores.

A Máquina de Vendas decidiu reforçar sua estratégia de comércio eletrônico. “Até então, em fevereiro, a companhia não tinha uma estrutura de canais digitais suficiente para viabilizar a manutenção das atividades apenas por este meio”, diz ela em documento de recuperação judicial.

O cenário é de tempestade perfeita. A empresa ja estava em recuperação extrajudicial, homologada pela Justiça em 2019. Na época, as dívidas eram estimadas em 2,5 bilhões de reais com fornecedores e bancos.

Na lista dos maiores credores estão empresas como Itaú, Bradesco, Santander e Whirlpool (dona das marcas Brastemp e Consul).

‘Direto com o dono’

A péssima repercussão da recente apreensão do empresário Ricardo Nunes, fundador da rede, não será o único problema a ser administrado pela companhia num futuro próximo.

No início de julho, Ricardo Nunes, fundador e ex-principal acionista da Ricardo Eletro, foi preso em São Paulo. Ele era investigado na operação “Direto com o dono”, de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em Minas Gerais.

De acordo com os investigadores, aproximadamente R$ 400 milhões de impostos da rede varejista foram embutidos no preço dos produtos, mas não era repassado ao estado. A filha de Ricardo, Laura Nunes, também foi presa, na Grande BH, mas teve a prisão revogada a pedido do Ministério Público, por ter contribuído com as investigações.

Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, de máscara preta, em delegacia de São Paulo logo após ser preso. — Foto Divulgação Receita Estadual

Histórico da empresa

A primeira loja Ricardo Eletro surgiu em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, em 1989. Em pouco mais de 10 anos já estava entre as cinco maiores empresas de varejo de eletroeletrônicos do Brasil.

Em 2010, a Ricardo Eletro se fundiu à rede de lojas Insinuante criando o terceiro maior grupo varejista do país, chamado Máquina de Vendas.

Em seguida, incorporou as marcas Citylar, Eletroshop e Salfer, unificando as lojas com a marca da Ricardo Eletro.

Em 2011, Nunes foi condenado à prisão por corrupção ativa, depois de ser alvo de denúncia da Procuradoria da República. Ele teria pago propina a um auditor da Receita para livrar a empresa de uma autuação. Ele recorreu da decisão.

Em 2018, o grupo entrou com uma ação de recuperação extrajudicial e, no ano passado, foi vendido para o fundo de investimentos e reestruturação Starboard.

fontes: G1 / Uol / globo / veja / jornal tempo / exame /

 

 

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