Divinópolis possui um histórico de tremores de terra, principalmente nos últimos cinco anos. O episódio na tarde de terça-feira (14) é mais um dos eventos recentes que assustaram moradores em vários bairros da cidade.
A história dos sismos na região começa nos anos 70, em Carmo do Cajuru, sentido em vários bairros da maior cidade do Centro-Oeste.
O primeiro evento de Divinópolis no catálogo citado pelo Centro de Sismologia da USP ocorreu em 11 de julho de 1990. O sismo teve magnitude 2,8, e o epicentro foi estimado a aproximadamente 20 quilômetros a leste da área urbana. Não houve danos relatados nem informações confirmando que a população tenha sentido o movimento.
O registro de 1990 permaneceu como a referência mais recente da sismicidade local por mais de três décadas. Portanto, quando o solo voltou a tremer em janeiro de 2022, o fenômeno provocou surpresa e preocupação entre moradores, sobretudo nos bairros das regiões Norte e Nordeste da cidade.
Tremor em Carmo do Cajuru de 1972
O reservatório de Carmo do Cajuru, localizado a cerca de 20 quilômetros de Divinópolis, registrou intensa atividade sísmica na década de 1970. O maior evento chegou à magnitude 3,7 em janeiro de 1972.
Contudo, a USP trata essa atividade como um antecedente regional relacionado ao reservatório, e não como o primeiro registro sísmico do município de Divinópolis.
Alguns reservatórios profundos podem desencadear pequenos sismos porque o peso e a infiltração da água alteram as pressões existentes em fraturas subterrâneas. N
Série de sismos em 2022
O enxame sísmico de Divinópolis começou em 10 de janeiro de 2022, às 20h13. A estimativa preliminar indicou magnitude 2,9, posteriormente atualizada para 3,0 no relatório técnico. Moradores relataram um estrondo seguido pelo movimento de portas, janelas e móveis, principalmente nas proximidades de Candidés, Icaraí e bairros da região Norte.
Três novos eventos aconteceram em 13 de janeiro, com magnitudes 2,8, 2,9 e 1,8. Além disso, outros três ocorreram no dia 14. A atividade aumentou em 15 de janeiro, quando os equipamentos detectaram oito pequenos sismos em menos de 24 horas, com magnitudes entre 1,6 e 2,4.
O monitoramento identificou mais dois eventos no dia 16, um no dia 17, cinco no dia 18 e seis até as 17h do dia 19. Consequentemente, o relatório consolidado pela USP contabilizou 29 tremores em dez dias, com magnitudes entre 1,6 e 3,0.
Um novo evento, de magnitude 2,2, elevou a contagem divulgada com base na Rede Sismográfica Brasileira para 30 na manhã de 20 de janeiro. Reportagens posteriores ainda registraram atividade no fim daquele mês. No entanto, a lista técnica consolidada pela USP detalha individualmente os 29 primeiros sismos ocorridos até a tarde do dia 19.
O Brasil está no interior da Placa Sul-Americana e distante dos limites entre grandes placas tectônicas. Ainda assim, tensões geológicas se acumulam dentro do continente e podem provocar movimentos repentinos em pequenas fraturas. Por isso, abalos de baixa magnitude podem ocorrer em diferentes regiões brasileiras.
Onde os tremores de terra de 2022 foram mais sentidos em Divinópolis?
Os epicentros calculados instrumentalmente ficaram próximos ao bairro Jardim Candidés, no Nordeste de Divinópolis. Entretanto, as estações sísmicas mais próximas estavam entre 80 e 100 quilômetros de distância. Essa separação produziu uma incerteza de aproximadamente cinco a dez quilômetros na localização calculada pelos equipamentos.
Para melhorar a estimativa, o Centro de Sismologia recebeu mais de 500 relatos de moradores. As respostas indicaram que os efeitos mais fortes se concentraram no Candidés, Icaraí, Danilo Passos, Vila Romana, Bom Pastor e outros bairros vizinhos.
Os relatos também permitiram estabelecer o chamado epicentro macrossísmico, calculado a partir dos lugares onde a população percebeu maior intensidade.
O que causa os sismos?
O relatório da USP avaliou as principais hipóteses levantadas durante a sequência. Os pesquisadores consideraram extremamente remota uma relação com a Barragem do Gafanhoto, porque o epicentro indicado pelos relatos ficou fora da área de influência do reservatório. A distância também afastou uma ligação com o reservatório de Cajuru.
As pedreiras existentes na região também foram descartadas como causa provável. Os epicentros estavam afastados das áreas de extração, e as operações locais não apresentavam as condições normalmente associadas aos raros casos de sismicidade induzida por grandes escavações.
A influência das chuvas intensas daquele verão também foi considerada pouco provável e difícil de demonstrar. Embora a água possa alterar a pressão em fraturas subterrâneas, seria necessário acompanhar a região por vários anos para identificar uma eventual relação recorrente entre períodos chuvosos e aumento da atividade.
Em síntese, o estudo concluiu que a sequência teve origem natural. O relatório técnico completo sobre os 29 primeiros eventos está disponível no Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.
Tremor de terra registrado em Ermida em 2024
Depois da sequência de 2022, outro evento relevante foi registrado em 14 de outubro de 2024. O tremor ocorreu às 16h31 e atingiu magnitude 2,2 MLv, medida utilizada para pequenos eventos locais. As coordenadas divulgadas pelo Centro de Sismologia apontaram o epicentro para a região de Santo Antônio dos Campos, conhecida como Ermida.
Moradores de Ermida relataram ter sentido o movimento, embora o evento tenha sido classificado como de baixa magnitude. O registro de 2024 ocorreu em uma área diferente do núcleo mais percebido durante o enxame de 2022, que se concentrou nas proximidades de Candidés.
A diferença de localização não permite afirmar, sem uma análise geofísica específica, que o tremor de Ermida tenha relação direta com a fratura associada à sequência de 2022. Portanto, cada registro precisa ser avaliado conforme coordenadas, ondas captadas pelas estações e relatos enviados pela população.
O que fazer ao sentir um novo tremor?
Moradores que perceberem um abalo devem manter a calma, afastar-se de janelas e objetos que possam cair e evitar elevadores. Caso existam rachaduras recentes, queda de estruturas ou risco imediato, a orientação é deixar o imóvel com segurança e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.
Além disso, também é recomendável anotar o horário, a duração aproximada e os efeitos percebidos.















