Rede Sismográfica Brasileira aponta que Divinópolis teve abalo sísmico de magnitude 2,9; saiba a diferença entre terremoto e abalo sísmico - Portal MPA

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Rede Sismográfica Brasileira aponta que Divinópolis teve abalo sísmico de magnitude 2,9; saiba a diferença entre terremoto e abalo sísmico

Postado em 11/01/2022 7:10

URGENTE: Rede Sismográfica Brasileira relata que Divinópolis teve abalo sísmico de magnitude 2,9 na escala Richter, na segunda (10)

 

Ontem (10/1) a noite, moradores do bairro Icaraí e região, em Divinópolis/MG, sentiram forte tremor de terra.  De acordo com dados do site da Rede Sismográfica Brasileira, foi um abalo sísmico de magnitude  2.9 mR (Escala Richter),com longitude 44,83ºW. Latitude 20.13ºS.

Ainda de acordo com os dados da rede sismográfica, o horário do tremor de terra, foi exatamente no momento em que os moradores começaram a se manifestar nas redes sociais,  por volta de 23h13. Contudo, o horário registrado foi em UTC  (Horário Universal Coordenado) , que de acordo com o Google às 23h13, correspondeu ao horário em Divinópolis de 20h13 (horário oficial de Brasília).

Bairros como o Icaraí, Candidés, Lagoa dos Mandarins, Grajaú, sentiram com mais intensidade, isso por causa da proximidade do epicentro do evento. Bairros que também sentiram o tremor: Bairro Danilo Passos, Manoel Valinhas, dentre outros. Ninguém ficou ferido,e não houve acionamento dos Bombeiros.

Veja a diferença entre terremoto e abalo sísmico:

Os terremotos são tremores que se manifestam na crosta terrestre, a mais externa das camadas da Terra. Sob o ponto de vista técnico, os terremotos são uma liberação de energia acumulada abaixo dos solos, liberação essa que provoca uma acomodação dos blocos rochosos, dando origem aos tremores.

Em termos de intensidade, os terremotos são medidos em um índice chamado de Escala Richter, que vai de 1, para os mais fracos, a 10, para os mais fortes. No entanto, nunca houve registros de um terremoto que conseguisse alcançar o índice máximo. Já os abalos sísmicos são reações superficiais sem abalo da terra.

Essa definição de abalo sísmico é usada justamente por causa da baixa intensidade. Mas, a origem e a natureza são exatamente as mesmas, diferindo apenas a extensão da área de ruptura. Os sismos são rasos e só podem atingir 40 km de profundidade, em Divinópolis ele foi de 0 km e de magnitude baixa e moderada.

Terremoto no Brasil? Entenda o motivo do país registrar tremores

Durante muito tempo se acreditou que os terremotos eram ocasionados apenas devido a atividades vulcânicas e ao encontro de placas tectônicas. Como o Brasil não se encaixa em nenhum desses casos, pois está no centro da sul-americana, acreditava-se que o país nunca registraria esse tipo de evento.

No entanto, há registros de tremores de terra no país. Em 2020, a Rede Sismográfica Brasileira, forma por pesquisadores da UFRN, da USP, da UNB e do Observatório Nacional, verificou a ocorrência de 248 tremores no Brasil, com apenas três desses registrando mais de 4 graus na escala Richter. Entre 1900 e 2020, o país teve 2959 terremotos.

“A explicação geral é que há o entendimento de que mesmo no interior das placas, durante o processo de formação geológica, certas zonas que herdaram algumas cicatrizes. Ou seja, são regiões imperfeitas e que às vezes quebram e formam as falhas geológicas”, destaca Aderson Farias do Nascimento, professor e coordenador do LabSis (Laboratório Sismológico) da UFRN (Universidade Federal da Rio Grande do Norte).

O especialista ressalta que as placas observadas na atualidade são resultados de processos de sobreposição que duraram milhões de anos. Como nem sempre há um encaixe perfeito dessas estruturas, são originadas as rachaduras que causam os terremotos no Brasil. “Não temos muita facilidade para estudar as atividades sísmicas que acontecem no interior das placas, uma vez que as falhas não são tão evidentes como os encontros dessas diferentes estruturas. Esse é um dos fatores que levaram as pessoas a demorarem para acreditar na existência dessas rachaduras e no seu potencial de gerar tremores”, explica.

O terremoto mais forte

O professor da UFRN afirma que a grande maioria dos tremores sentidos no país têm uma intensidade muito baixa e por conta disso os laboratórios sismológicos brasileiros muitas vezes nem conseguem registrar essas atividades. Em contraponto, alguns terremotos com maior magnitude já ocorreram no território brasileiro. O maior deles aconteceu em 1955, no estado do Mato Grosso, na Serra do Trombador. O abalo atingiu 6.6 graus de magnitude na escala Richter. “Em 1955 o Mato Grosso era bem diferente do que a gente conhece hoje, não era uma área tão populosa e urbanizada. Por conta disso, o terremoto não causou danos materiais e mortes na região”, enfatiza o geofísico da UFRN. O segundo maior terremoto brasileiro também aconteceu em 1955, mas em Vitória, no Espírito Santo. A atividade sísmica teve 6.3 graus na escala Richter e também não houve o registro de danos na região.

Casos recentes

Uma série de tremores foram registrados no Rio Grande do Norte. De acordo com Aderson farias, nenhum deles ultrapassou os 4 graus de magnitude e os especialistas ainda estudam as causas dessa sequência de cerca de 20 terremotos. “Uma das hipóteses que a gente trabalha é a de uma extensão da Falha de Samambaia, que atravessa o município de João Câmara. A outra é que, no processo de abertura do continente foram criadas fraturas no sentido leste-oeste, e pode ser que essas imperfeições estejam sendo reativadas próximas ao continente.”

 

Escalas de medição

Os abalos sísmicos que acontecem ao redor do mundo são medidos pelas escalas Richter e Mercalli. Cada uma delas analisa essas atividades de pontos de vista diferentes.A escala Richter é conhecida entre os geofísicos e sismólogos por fazer a medição da magnitude dos terremotos a partir do hipocentro, ponto exato do tremor no subsolo, e do epicentro, região onde a atividade sísmica é sentida com maior intensidade na superfície terrestre.

Nesta medição, as magnitudes vão de 2, que são os tremores sentidos apenas pelos laboratórios sismológicos, até 9, quando os terremotos causam a destruição total na região de ocorrência.

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