A deputada federal Duda Salabert (PSOL) anunciou que irá enviar recursos para a construção de uma estátua em homenagem a poetisa Adélia Prado, em Divinópolis.
Em seu discurso na Câmara dos Deputados, a parlamentar ressalta e a relevância da artista, que além de ser um dos maiores nomes da literatura brasileira, também alcança relevância política.
“A Adélia é mais que uma grande poeta. Se pegamos a historiografia brasileira, a poesia é liderada por homens. São poucas as mulheres consagradas, que conseguiram furar a tradição dos poetas homens, e por isso ela tem relevância política. Temos que homenagear nossos poetas ainda vivos, porque ela é um patrimônio cultural de Minas e do Brasil“, disse.
Duda afirma que vai dialogar com a Prefeitura de Divinópolis sobre a destinação dos recursos para a construção do monumento.
Ainda no Legislativo, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (8), uma Moção de Aplauso à Adélia Prado, destacando a experiência feminina, na fé cristã e na mineiridade.
Saiba mais sobre Adélia Prado
Nascida em Divinópolis, em 13 de dezembro de 1935, Adélia Prado construiu uma trajetória marcada pela originalidade poética, pela linguagem simples e pela abordagem do cotidiano sob a perspectiva feminina.
Filha do ferroviário João do Prado Filho e da dona de casa Ana Clotilde Corrêa, Adélia iniciou os estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato. Após a morte da mãe, em 1950, escreveu seus primeiros versos. Formou-se professora em 1953 pela Escola Normal Mário Casassanta e passou a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Melo Viana Sobrinho, onde atuou por mais de duas décadas. Em 1973, concluiu o curso de Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis.
Os primeiros poemas de Adélia Prado foram publicados em jornais de Divinópolis e Belo Horizonte. Em 1971, dividiu com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. A estreia individual ocorreu em 1975, quando seus poemas chegaram às mãos do crítico Affonso Romano de Sant’Anna, que os apresentou a Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond encaminhou os textos à Editora Imago, resultando na publicação de Bagagem, obra que chamou a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Em 1978, Adélia publicou O Coração Disparado, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. No ano seguinte, deixou o magistério para se dedicar exclusivamente à literatura. Além da poesia, lançou obras em prosa, como Solte os Cachorros (1979) e Cacos para um Vitral (1980). Também atuou no teatro, dirigindo montagens de textos de Ariano Suassuna e Dias Gomes.
Entre 1983 e 1988, exerceu o cargo de chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, função que voltou a ocupar em 1993. Sua obra passou a ser estudada em universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. A autora também participou de eventos literários no Brasil e no exterior, como a Semana Brasileira de Poesia, em Nova York.
A produção literária de Adélia Prado é marcada por uma linguagem direta e coloquial, que aborda temas como fé católica, família, cotidiano e a experiência feminina. Sua poesia destaca o olhar da mulher comum, sem caráter militante, e consolidou a autora como uma das referências centrais da poesia brasileira.
Casada desde 1958 com o bancário José Assunção de Freitas, Adélia é mãe de cinco filhos.
Reconhecimento recente
Em 2024, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Camões, considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa. Em setembro de 2025, publicou O Jardim das Oliveiras, seu primeiro livro inédito em 12 anos, enquanto suas obras anteriores foram reeditadas pelo Grupo Record.
No ano passado, também foi agraciada com uma bênção apostólica do Papa Leão XIV, em celebração ao seu aniversário, após um pedido encaminhado pela Diocese de Divinópolis. Recentemente, ela foi cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, ganhando reconhecimento de leitores no exterior.
Atualmente, o Museu Histórico de Divinópolis tem uma exposição sobre ela.
Aos 90 anos, Adélia Prado segue ativa, participando de encontros literários, publicando textos e emocionando leitores no Brasil e no exterior, mantendo-se como uma das mais relevantes escritoras vivas da literatura brasileira.











