Resumo em 30 segundos: o que a pesquisa da CDL revelou sobre as bets?
- A campanha “Apostar não é investir”, da CDL Divinópolis, nasce de uma pesquisa da FCDL-MG com consumidores mineiros.
- 21,4% dos que apostam ou já apostaram deixaram de consumir produtos ou serviços para destinar dinheiro às bets.
- 19% já se endividaram ou atrasaram contas por causa das apostas.
- O gasto médio mensal informado pelos apostadores é de R$ 290,83, sendo o Pix o meio de pagamento mais usado (77,6%).
- Metade dos apostadores afirma ter tido prejuízo financeiro com as plataformas.
A campanha “Apostar não é investir”, lançada pela CDL Divinópolis, chega para alertar sobre o impacto das apostas esportivas no orçamento das famílias mineiras. O ponto de partida é uma pesquisa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), que mostra que 21,4% dos consumidores que apostam ou já apostaram em bets deixaram de comprar produtos ou serviços para destinar recursos às plataformas. Por isso, o dado coloca o tema no centro do debate sobre consumo no estado.
O levantamento, feito com consumidores de todo Minas Gerais, também aponta que 19% desse público já se endividou ou atrasou contas em razão das apostas. Consequentemente, os resultados evidenciam uma disputa direta pelo orçamento das famílias, com reflexos potenciais sobre o comércio e os serviços locais.
Entre os consumidores que já tiveram contato com as bets, o gasto médio informado é de R$ 290,83 por mês. Metade afirma ter tido prejuízo financeiro, enquanto 28,6% relatam lucro e 21,4% consideram o resultado indiferente.
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Como o gasto com apostas afeta o comércio local?
Para o economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva, os dados mostram que o avanço das apostas precisa ser analisado também sob a perspectiva da economia real. Segundo ele, quando o consumidor deixa de comprar um produto ou frequentar um estabelecimento para apostar, há um efeito direto sobre suas escolhas de consumo, já que o comércio depende da circulação desses recursos para manter empregos e atividades.
Na prática, o economista destaca que não se trata apenas de uma despesa eventual. “Há consumidores que incorporaram as apostas à rotina e destinam a elas uma parcela recorrente do orçamento”, avalia Silva, acrescentando que, quando esse gasto compete com despesas essenciais, o impacto deixa de ser individual.
Quem são os apostadores mineiros, segundo a pesquisa?
Do total de consumidores entrevistados, 16,7% afirmaram apostar ou já ter apostado em bets, enquanto 83,3% disseram nunca ter utilizado essas plataformas. Entre os que já apostaram, os homens representam 61,9% e as mulheres, 38,1%.
Sobretudo, a pesquisa identificou diferenças relevantes no valor destinado às apostas: o gasto médio mensal informado pelos homens é de R$ 342,88, ante R$ 206,25 entre as mulheres — uma diferença de aproximadamente 66%. Em relação à frequência, 35,7% dos apostadores afirmam apostar mensalmente, 26,2% raramente, 21,4% diariamente, 14,3% semanalmente e 2,4% anualmente.
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Prejuízo, endividamento e Pix: o que mais a pesquisa mostrou?
A percepção sobre os resultados financeiros reforça o alerta da entidade: 50% dos apostadores dizem ter tido prejuízo, 28,6% acreditam ter obtido lucro e 21,4% consideram que o resultado foi indiferente. Além disso, 19% relatam já ter contraído dívidas ou atrasado contas por causa das apostas.
O Pix é o meio de pagamento predominante, utilizado por 77,6% dos entrevistados que apostam ou já apostaram. O cartão de crédito aparece com 14,3%, seguido pelo cartão de débito, com 8,2%. Enquanto isso, a FCDL-MG destaca que a facilidade de acesso e a rapidez das transações tornam ainda mais importante a conscientização sobre os riscos financeiros associados às apostas.
O que propõe a campanha “Apostar não é investir”?
Com o conceito “Apostar não é investir” e o mote “A casa sempre ganha. E o seu bolso?”, a campanha da CDL Divinópolis parte de uma provocação para estimular a reflexão sobre como decisões financeiras afetam não apenas o orçamento individual, mas também as famílias e a capacidade de consumo.
Portanto, a iniciativa tem a educação financeira como principal caminho de prevenção. Ao longo dos conteúdos, serão abordados temas como organização do orçamento, consumo consciente, endividamento, inadimplência e escolhas financeiras. A campanha reforça, ainda, o papel das CDLs como agentes de informação em suas comunidades, levando o debate a empresários, consumidores e população em geral.
“Nosso objetivo é contribuir para um debate responsável, baseado em dados. Não se trata de julgar o comportamento individual, mas de compreender como as bets afetam o planejamento financeiro das famílias”, conclui o economista Vinícius Silva.
Ainda assim, a reportagem não localizou confirmação oficial sobre a ficha técnica completa da pesquisa (número de entrevistados e margem de erro). Para mais dados sobre o mercado varejista mineiro, é possível consultar o site oficial da FCDL-MG.
Principais números da pesquisa
- 16,7% dos entrevistados apostam ou já apostaram em bets
- R$ 290,83 é o gasto médio mensal informado pelos apostadores
- 21,4% já deixaram de consumir produtos ou serviços para apostar
- 19% já se endividaram ou atrasaram contas por causa das apostas
- 50% afirmam ter tido prejuízo financeiro
- 77,6% utilizam o Pix como meio de pagamento















