Quatro vereadores de Divinópolis formalizaram uma denúncia na Delegacia de Polícia Civil contra o influenciador político Arthur Saturnino. Os parlamentares alegam que vídeos publicados nas redes sociais tiveram exposição indevida e tentativa de desmoralização pública. Em nota, Arthur negou qualquer ataque pessoal e defende estar dentro da liberdade de expressão.
A polêmica começou quando o influencer criticou a destinação de emendas impositivas de R$ 210 mil, de autoria dos vereadores Flávio Marra (PRD), Ney Burguer (Novo), Washington Moreira (Solidariedade) e Wellington Well (PP). Os recursos haviam sido direcionados ao Pré-Carnaval do Divino, e o influenciador questionou os gastos públicos para a festa, associando o repasse ao “pão e circo”.
O influencer também citou o aumento do salário dos vereadores, aprovado em dezembro de 2025, o que acarreta em mais gastos públicos.
O conteúdo viralizou e repercutiu na Câmara durante as sessões ordinárias de terça (10) e quinta-feira (12). Em plenário, os quatro parlamentares responderam em tom elevado. Wellington Well defendeu a emenda, sustentando que o investimento gerou impacto econômico e disse que a cobrança era seletiva. Washington declarou que houve ataque à honra e reafirmou apoio à destinação de recursos para a cultura. Flávio Marra chamou a crítica de “populista”, enquanto Ney Burguer disse que o caso seria levado à Justiça.
Influencer se pronuncia sobre queixas feitas por vereadores de Divinópolis
Procurado pelo Portal MPA, Arthur Saturnino alega que as críticas foram exclusivamente às emendas e que as imagens usadas nos vídeos foram públicas, sem invadir a privacidade dos parlamentares. Além disso, ele reforça que questionar dinheiro público é ‘dever cívico’.
Veja a nota completa:
“Eu não ataquei pessoas. Eu critiquei decisões políticas.
Exerci um direito garantido pela Constituição: a livre manifestação do pensamento. Questionei o aumento do salário dos vereadores e a destinação de R$ 210 mil do dinheiro público, por meio de emendas impositivas, para 12 horas de carnaval em Divinópolis. Dinheiro que pertence à população.
Minha crítica foi objetiva e exclusivamente direcionada às ações parlamentares dos quatro vereadores. Em nenhum momento invadi a vida privada de qualquer um deles.
Todas as imagens utilizadas nos vídeos são imagens públicas, amplamente divulgadas, registradas em um evento que ocorreu diante de mais de 80 mil pessoas. Trata-se de ato público, com exposição pública e financiamento público. Não há qualquer elemento de esfera privada envolvido.
Criar a narrativa de que houve ataque à vida particular é uma tentativa de distorcer os fatos e deslocar o debate do ponto central: o uso de recursos públicos e as prioridades políticas adotadas.
Mandato público exige responsabilidade pública. Quem ocupa cargo eletivo precisa estar preparado para o contraditório. A crítica política é parte essencial da democracia, não é crime e não pode ser tratada como tal.
Não houve ofensa pessoal. Houve questionamento político.
E questionar o uso do dinheiro do povo não é excesso, é dever cívico“














