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Três casos de violência contra mulheres são registrados em Belo Horizonte em menos de 24 horas

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Belo Horizonte enfrentou uma onda de violência contra mulheres, com três ocorrências graves registradas em um intervalo de menos de 24 horas. Entre a noite de segunda-feira, 20 de novembro, e a manhã de terça-feira, 21 de novembro, uma capitã da Polícia Militar foi encontrada morta, uma mulher foi descoberta sem vida em seu apartamento, e outra sobreviveu após ser lançada do terceiro andar de um prédio. Esses incidentes ocorrem em um contexto alarmante de aumento de feminicídios em Minas Gerais, levantando preocupações sobre a violência de gênero no estado.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Minas Gerais registrou 32 feminicídios apenas nos dois primeiros meses de 2026, um aumento de mais de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, que contabilizou 25 ocorrências. No total, em 2025, o estado teve pelo menos 170 feminicídios consumados e 209 tentativas. Em nível nacional, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.568 vítimas de feminicídio no ano passado.

O primeiro caso, que chamou a atenção na noite de segunda-feira, envolveu a capitã da Polícia Militar, Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, a levou ao Hospital Odilon Behrens já sem vida e alegou que a esposa havia caído de uma escada no apartamento do casal, localizado no bairro Palmares. No entanto, essa versão foi contestada após os médicos identificarem hematomas e múltiplas lesões no corpo da oficial, levando à notificação da Polícia Militar.

As investigações indicaram que o relacionamento entre Michele e Eduardo era marcado por violência psicológica e controle. Familiares relataram que a capitã vivia um ciclo de separações e reconciliações e havia mencionado comportamentos possessivos do marido, além de episódios de manipulação emocional e ameaças com faca durante brigas. Imagens de câmeras de segurança mostraram o sargento carregando a capitã até o carro, demonstrando nervosismo antes de levá-la ao hospital. Eduardo foi preso em flagrante e, segundo sua defesa, nega as acusações de agressão. Durante a perícia, a polícia encontrou um pedaço de madeira que pode ter sido utilizado nas agressões e uma caixa de comprimidos de ecstasy que ele tentou descartar.

Poucas horas antes, a Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas para investigar o caso de Stifany Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, encontrada morta em seu apartamento no bairro Camargos. A descoberta ocorreu após vizinhos estranharem seu desaparecimento e perceberem um forte odor vindo do imóvel. O corpo de Stifany foi encontrado sobre a cama, em estado de decomposição, com a casa revirada. Testemunhas relataram que um homem frequentava o apartamento e foi visto saindo do local com malas no dia da descoberta do corpo. O namorado da vítima se apresentou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e confessou o crime, sendo detido pela Polícia Civil, que continua a investigar as circunstâncias da morte.

Na manhã de terça-feira, um terceiro incidente envolvendo violência contra uma mulher foi registrado no bairro Jonas Veiga, na região Leste da cidade. Uma mulher foi arremessada do terceiro andar de um prédio e, apesar das escoriações, conseguiu sair caminhando do local. Ela foi inicialmente levada à UPA Leste e, posteriormente, transferida para o Hospital João XXIII. O suspeito do ataque foi preso e levado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde tentou danificar o compartimento de segurança da viatura durante o transporte.

Os três casos estão sob investigação. No caso da capitã Michele, a Polícia Civil analisa se as lesões são compatíveis com a versão apresentada pelo marido. Para os casos de Stifany e da mulher que sobreviveu à queda, a definição da motivação dos crimes e a possível classificação como feminicídio dependerão das conclusões das investigações em andamento.

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