Uma gravação de uma ligação telefônica obtida pela reportagem da Itatiaia revela uma conversa entre um cliente e a advogada Daniela Gomes Ibrahim, que atualmente responde a uma denúncia na Justiça de Minas Gerais por suposta tentativa de influenciar uma investigação policial. A denúncia, aceita pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em 18 de agosto, aponta que a advogada teria cobrado R$ 4 mil de familiares de um homem preso em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas, com o objetivo de pagar um perito da Polícia Civil (PCMG) para apagar provas de um celular apreendido.
Na gravação, um familiar do investigado questiona a advogada sobre o valor a ser pago, demonstrando preocupação e informando que conseguiu parte do dinheiro, embora estivesse usando o restante para pagar contas. A pessoa também expressa receio de que o procedimento proposto por ela possa não dar certo. Em resposta, Daniela Ibrahim confirma que o valor de R$ 4 mil é o correto e detalha o procedimento, afirmando que o perito entraria no sistema e acessaria o conteúdo do telefone. A conversa evidencia a tentativa de manipular a produção de provas, com a advogada solicitando dados do investigado, como nome completo, telefone e e-mail, com urgência, alegando que o tempo era um fator crucial.
A denúncia contra a advogada sustenta que ela se apresentou como alguém capaz de intermediar a atuação de um agente público para interferir na produção ou preservação de provas. Além do recebimento da denúncia, o TJMG determinou a suspensão do exercício profissional de Daniela Ibrahim em processos criminais até o julgamento do caso, considerando o risco de reiteração de condutas semelhantes. A decisão judicial levou em conta a gravidade das acusações e o impacto potencial na ética profissional.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) informou que acompanha o caso dentro de suas atribuições institucionais, ressaltando que os procedimentos tramitam sob sigilo, o que impede a divulgação de detalhes adicionais. A entidade também garantiu seu compromisso na defesa das prerrogativas profissionais, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, além de atuar na fiscalização ética e disciplinar da advocacia.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por sua vez, divulgou nota na qual afirma que não há qualquer registro de participação, solicitação de vantagem, recebimento de valores ou prática ilícita por parte de peritos ou servidores da instituição. A polícia esclareceu que a referência ao suposto agente público na conversa foi utilizada como estratégia para convencer os familiares do investigado a entregarem dinheiro, sob a alegação de influência sobre agentes públicos para interferir na perícia. Segundo a PCMG, essa prática é conhecida no meio policial, em que criminosos alegam possuir influência ou capacidade de impedir determinadas providências investigativas, muitas vezes atribuindo falsamente a responsabilidade por dificuldades na recuperação de provas a supostas interferências de servidores públicos.
A investigação revelou que nenhum perito, delegado, investigador ou outro servidor da Polícia Civil estaria envolvido na prática ilícita, e que não há elementos que indiquem pagamento, promessa de vantagem ou interferência ilegal na perícia realizada. A Polícia Civil reforçou que a investigação continua em andamento, buscando esclarecer todos os fatos relacionados ao caso. A defesa da advogada Daniela Ibrahim ainda não se manifestou oficialmente, e o espaço permanece aberto para esclarecimentos futuros.
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