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Mais de 170 figuras da indústria do entretenimento defendem Mark Ruffalo contra acusações de antissemitismo promovidas pela Paramount

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Imagem: REUTERS/Mario Anzuoni

Mais de 170 profissionais judeus atuantes na indústria do entretenimento assinaram uma carta aberta em defesa do ator Mark Ruffalo, após a Paramount Pictures acusá-lo formalmente de incorrer em antissemitismo. A controvérsia teve início após o ator criticar publicamente a fusão entre Paramount e Warner Bros. e relacionar a família Ellison, uma das mais influentes dos Estados Unidos, a ações de apoio ao conflito em Gaza, o que gerou debates acalorados em Hollywood nas últimas semanas.

A carta, divulgada nesta semana, afirma que Ruffalo tem sido alvo de uma “campanha de difamação” baseada em acusações “infundadas” de antissemitismo. Entre os signatários estão nomes de destaque como o diretor Joel Coen, o roteirista Tony Kushner e as atrizes Ilana Glazer e Hannah Einbinder, segundo informações da revista Variety. Os apoiadores argumentam que as críticas de Ruffalo representam uma tentativa de silenciar debates legítimos sobre questões políticas e corporativas, especialmente relacionadas ao controle de mídia e às ações militares de Israel.

A controvérsia se intensificou após Ruffalo publicar nas redes sociais uma crítica à fusão entre Paramount e Warner Bros., além de citar a família Ellison, controlada pelo magnata da tecnologia Larry Ellison e pelo produtor David Ellison. Larry Ellison, fundador e principal acionista da Oracle, é uma das pessoas mais ricas do mundo, enquanto seu filho, David Ellison, é fundador da produtora Skydance Media e CEO do conglomerado Paramount Skydance. Ruffalo acusou a família Ellison de estar envolvida em ações que, segundo ele, contribuem para o que chamou de “genocídio” contra palestinos, relacionando essa narrativa ao uso de tecnologias militares avançadas pela Oracle, empresa que financia a aquisição da Warner Bros. por David Ellison.

Para exemplificar sua alegação, Ruffalo compartilhou um vídeo de Safra Catz, vice-presidente executiva do conselho da Oracle e integrante do conselho da Paramount, no qual ela fala sobre tecnologias utilizadas após o ataque de 7 de outubro de 2023, atribuindo a elas um potencial de impacto militar e de inteligência que, na visão do ator, estaria sendo usado para apoiar ações de Israel. Ruffalo afirmou que essas tecnologias, que ele descreveu como “assustadoras”, poderiam futuramente ser utilizadas contra civis, incluindo os próprios espectadores, numa crítica às implicações do controle corporativo sobre recursos tecnológicos de alta complexidade.

A resposta da Paramount veio na forma de uma declaração que acusou Ruffalo de recorrer a “estereótipos antissemitas” ao relacionar a fusão corporativa e as ações de empresas ligadas à família Ellison com o conflito em Gaza. Segundo a companhia, a tentativa de associar esses temas a uma questão de antissemitismo é uma estratégia para desviar o foco de debates legítimos sobre poder corporativo e influência na mídia. Um grupo de profissionais do setor também se manifestou, considerando “inaceitável” que questões de antissionismo ou antissemitismo sejam usadas como armas para silenciar críticas às operações empresariais ou às ações de governos.

Ruffalo e seus apoiadores reagiram às acusações, com o ator afirmando que a denúncia de antissemitismo é “assustadora” e “fundamentalmente desonesta”. Ele destacou que criticar ações do governo de Israel, contratos de tecnologia militar ou executivos ligados a esses assuntos não constitui ataque aos judeus. Hannah Einbinder, atriz judia e apoiadora dos direitos palestinos, agradeceu a Ruffalo por conectar a discussão sobre a fusão com o fornecimento de tecnologia militar, argumentando que essa ligação revela uma tentativa de controle midiático sem precedentes.

A carta aberta assinada por mais de 170 figuras judias reforça a tese de que as acusações de antissemitismo estão sendo usadas de forma instrumentalizada para silenciar críticas legítimas. Os signatários defendem que apontar as conexões entre os acontecimentos em Gaza e os interesses corporativos em Hollywood não é, de modo algum, um ato de antissemitismo, mas sim uma obrigação ética. Segundo o documento, reconhecer a relação entre o conflito e os interesses econômicos e midiáticos é uma forma de resistência contra o sistema de opressão e de defesa das liberdades individuais, além de uma manifestação de responsabilidade social.