O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou neste sábado (22), durante agenda no Mercado Central, em Belo Horizonte, que não descarta a possibilidade de o Mineirão ser vendido ao Cruzeiro.
Segundo o governador, uma eventual aquisição do estádio pelo clube seria um movimento natural no cenário esportivo de Minas Gerais, já que Atlético e América possuem estruturas próprias.
“O Mineirão não é um bem que não possa ser vendido”, declarou Simões.
O governador, no entanto, ressaltou que a privatização definitiva do estádio não é uma prioridade da atual gestão. Apesar da declaração de abertura para uma eventual negociação, existem obstáculos jurídicos e contratuais para uma venda direta ao Cruzeiro.
Concessão com a Minas Arena vai até 2037
Atualmente, o Mineirão é administrado pela Minas Arena por meio de uma concessão de 27 anos, que permanece vigente até 2037.
Uma eventual ruptura do contrato para permitir uma negociação direta com o Cruzeiro teria custos para o Estado. A multa é estimada entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões.
Além disso, seria necessário realizar um novo processo de licitação, no qual outros interessados também poderiam disputar a concessão do estádio.
O eventual rompimento unilateral do contrato pelo governo estadual está previsto na Lei nº 8.987, que regulamenta as concessões públicas. A legislação, porém, prevê o pagamento de indenização.
Cruzeiro pode ter maior participação na gestão
Além de uma eventual compra do Mineirão, existem alternativas que poderiam ampliar a participação do Cruzeiro na administração do estádio.
Uma delas seria um acordo de subconcessão entre a Minas Arena e o clube. Nesse modelo, a concessionária manteria o contrato com o Estado, enquanto o Cruzeiro poderia assumir maior autonomia sobre o uso e a operação do estádio.
Outra possibilidade seria a entrada do clube no quadro societário da Minas Arena. Para isso, seria necessária autorização formal do governo de Minas Gerais, além de análises jurídicas e regulatórias.
Dessa forma, a aquisição integral do Mineirão não seria a única alternativa para que o Cruzeiro tenha maior participação na gestão do estádio.
Decreto sobre bets também envolve o Mineirão
A discussão sobre o futuro do Mineirão ocorre em meio ao recente decreto estadual que proíbe publicidade de plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, em espaços públicos de Minas Gerais.
A medida gerou preocupação entre torcedores e dirigentes do Cruzeiro, principalmente em relação à realização dos jogos do clube no estádio.
Mateus Simões afirmou que o Cruzeiro não será prejudicado em seus mandos de campo por causa da nova regra.
O governador disse ter conversado com o presidente do Cruzeiro, Pedro Lourenço, sobre a situação.
“Fiz questão de amanhecer o dia mandando mensagem para o Pedrinho para dizer que fique tranquilo, porque não vamos prejudicar, de forma alguma, nenhum mando de campo do Cruzeiro no Mineirão”, afirmou.
Segundo Simões, a restrição está relacionada ao estádio público, e não ao Cruzeiro enquanto instituição esportiva.
“A regra não se aplica ao time, ao clube. A regra se aplica ao estádio”, explicou.
O governador também afirmou que haverá um período de transição para a adaptação às novas regras.
Venda do Mineirão ao Cruzeiro ainda não está em negociação
Apesar da declaração de Mateus Simões, não existe, neste momento, uma confirmação de venda do Mineirão ao Cruzeiro.
A possibilidade foi apresentada pelo governador como uma alternativa que poderia ser discutida futuramente. O atual contrato de concessão com a Minas Arena, válido até 2037, é um dos principais fatores que dificultariam uma eventual negociação direta.
Por enquanto, o Cruzeiro segue utilizando o Mineirão como uma de suas principais casas, enquanto o governo de Minas avalia as possibilidades relacionadas ao futuro da gestão do estádio.














